quarta-feira, 9 de abril de 2014

Penumbra

... e então, baixou os ombros, baixou a voz.

Suspirou.
Sua guarda estava baixa - ainda mais. Não que ele se importasse, mas dessa vez era diferente.
Não era lamento o que ele sentia. Ele apenas não sabia explicar o que não sentia, aquela falta de algo que também não era saudade, não era dor, não era nada.
Foi à cozinha, cortou um pão e não comeu. Não era fome o que tinha.
Ele apenas não sabia explicar a si mesmo porque palavras lhe faltavam para explicar, para se culpar. Para ceder.
Sentou-se no chão à beira da cama e olhou para uma foto antiga cravada no espelho do quarto.
Era amor o que sentia, afinal. Ele sabia.
Baixou a cabeça e sorriu antes que a lágrima solitária que escorrera pelo seu rosto tocasse o chão.

- Não é nada, ora bolas.

De fato, não era nada.
Nem bom, nem ruim, nem quente, nem frio.
Não era nada além de um vazio e uma certeza.

Levantou-se, apagou a luz e se deitou.
Ia fingir sono e sonhos para o outro dia.

Fechou o corpo e baixou os olhos.
Rezou baixinho.
Havia algo de novo, apesar de tudo.

Amanhã seria um novo dia.

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