quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sobre Máscaras Velhas e Palhaços


Algum dia você já reparou em quantas máscaras já usou durante sua vida?
Aquela quinta-feira em que você teve de fingir ser forte pra dar força a alguém num momento triste. Naquele dia, tudo que você mais queria era chorar num canto, baixinho, sem que ninguém percebesse.
Teve aquele sábado também, sabe? Aquele em que você morreu de ciúmes da pessoa na qual gostava e ainda sim, manteve-se sorridente durante todo o tempo para aquilo não ser motivo de aborrecimento para vocês.
E aquele dia em que você fingiu que tudo estava bem para não preocupar a todos quando na verdade você estava morrendo por dentro?
Acho que o ser humanos é assim mesmo: usa máscaras como um antidepressivo, uma forma de fazer todos acreditarem que tudo vai perfeito, que você é a pessoa mais satisfeita do mundo.
Mas, não. Você não é.
Tampouco é a mais feliz. Bem menos que isso, na realidade.
Você gosta de ver os outros felizes. Te dá uma satisfação imensa saber que as pessoas mais importantes de sua vida estão se sentindo confortáveis pois sabem que você é um palhaço de bem com a vida.
Mas palhaços também choram. Palhaços também se decepcionam, sentem raiva. 
Querem deixar de ser palhaços. (Ou ao menos que os outros os vejam como mais do que apenas palhaços.)
Chega um momento que a máscara cansa. Que a maquiagem escorre e o que você quer é esconder o verdadeiro rosto de seu verdadeiro eu.
Usa as mãos. Deixa pistas.
Você deixa de rir com tanto frequência; deixa de falar muito; fala mais baixo, menos eufórico.
Você muda um pouco.
Daí os outros percebem...
Daí, lembram que você ainda é o palhaço.
Daí, deixam pra lá.
Daí, você vai e se maquia de novo, põe a máscara de novo.
Você é o palhaço. Mais um no meio de tantos outros que passam despercebidos, assim como você.
Mais um nessa vida de espetáculo em que o mundo parece estar metido.
Vai e segue agindo como um, mesmo com a dor, mesmo com o desapontamento, mesmo com a raiva. Mesmo com todo o amor e angústias que você traz no peito.

"Inocente é uma palavra muito nobre. Estúpido é mais realista. Somos todos palhaços de alguém." (A Dama de Shanghai) 


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