sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

José e a janela



Apagou-se a vela;
Desfez-se o fogo.
Janela aberta que o vento se fez impôr.

Janela aberta que uma vida se fez passar.

Vinte tantos anos de tudo e nada:
Fogo que acende-se e apaga;
Aquece e esfria.

Tristeza indecisa; felicidade inconstante.

Assim que José viu o amor,
Fitou em seus olhos e fugiu em disparada,
Perdeu-se na vida.

Perdeu-se no mundo.

Teve medo, José,
Teve medo da vida, do mundo
Medo do povo,
Do amor que conhecia e que não.

Teve medo, José
De si mesmo e do que faria sobre isso.

Socou-lhe a si mesmo.
E olhou pela janela:
- Acorde, José. Foi só um pesadelo.

Fechou a janela.
Abriu a porta.

Foi viver, José.

Conhecer-se na vida.
Conhecer outros Josés e algumas Marias.

Ter-se na vida.

Foi viver, José.
Esquecer dos problemas que tinha e os que achava que tinha.

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