sábado, 14 de dezembro de 2013

O Que Tanto Quero E Não Quero

Não. Eu nunca quis que você me entendesse.
Como posso eu querer que entendam o que nem mesmo eu entendo? Como posso, eu, querer que entendam o que é amor? Não o seu amor, mas o meu.
Não eu não quero que você me entenda. O que quero é que você apenas saiba que o sinto, o que penso, o que sou.
Não, eu não quero que você me entenda. Eu não quero que você saiba o que é o amor. Eu não quero que você, no auge de sua juventude, nessa idade tão bonita que você tem agora, entenda o que nem eu mesmo sei explicar.
O que quero é que você me perdoe.
Perdoe-me por pensar em você quando acordo. E por sorrir quando penso em você quando acordo.
Perdoe-me por olhar para o meu lado esquerdo e te imaginar ao meu lado, respirando lentamente, como você faz quando dormimos abraçados; quando aquece mais do que o meu peito.
Perdoe-me por pensar em você quando bebo leite com chocolate no café da manhã. E por pensar naquelas torradas e bolachas que já comemos juntos algumas vezes.
Perdoe-me por torcer todos os dias que o dia termine logo para que a noite cresça; para que a gente possa se falar um pouco, ainda que às vezes só por pouco tempo.
Perdoe-me por não ter coragem de desligar o telefone ao término de cada ligação; por ficar 10% mais triste ou 10% menos feliz; por querer pegar no sono o mais rápido possível para que as horas passem logo e logo eu posso fazer tudo de novo; esperar tudo novamente. Pensar mais em você.
Perdoe esse meu jeito bobo de ser; essa minha vontade de te fazer sorrir sempre; essa minha necessidade de te ouvir gargalhando sempre que posso.
Perdoe-me por sentir meu corpo estremecer cada vez que noto uma mudança, ainda que sutil no seu tom de voz ou em sua expressão facial, cada vez que penso que você está triste ou irritada por algo que eu ou mundo fizemos.
Perdoe-me por ter medo.
Por ter medo de começar tudo; medo de não ser bom o bastante pra você;  medo de não te fazer feliz o bastante; medo de não te dar o bastante de mim.
Perdoe-me por ser assim, tão inseguro, tão medroso, tão tolo.
Perdoe-me por ser esse adulto que nem mesmo se apontaria como exemplo.
Não, eu não quero que você me entenda. Não quero que nem ao menos você fique confusa, chateada.
Não quero que você entenda o meu amor.
Não quero que você note que vinte a tantos anos de vida não foram o suficiente para entender isso que sinto por você, ou ao menos saber o porquê de isso me fazer tão bem que tenho medo de perder.
Eu não quero que você me veja fraco, que você saiba que leio Caio Fernando, Carpinejar ou Lispector. 
"Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não se cansa."
Não quero que você entenda o fato de eu ser romântico assumido e de eu querer controlar isso.
Não quero ser chato, doido, bobo. Tampouco inseguro, burro, frouxo.
O que eu quero, quero mesmo é dormir.
É ter sonhos bons.
É um abraço seu. Um beijo. Um sorriso.
O que eu quero é que você saiba que vinte tantos anos me fizeram suficientemente forte para carregar a vida; pensar; andar; ficar na praia, olhando as ondas baterem.
O que quero que você saiba é que vinte tantos anos não me foram o suficiente pra saber guardar tudo isso que sinto por você em mim. Por isso explodo, mordo, grito, sorrio. Fico olhando em teus olhos.
Por isso carrego a vida.

Penso. Ando. Fico na praia, olhando as ondas baterem.
Descobri: Eu te amo.
Ponto.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

José e a janela



Apagou-se a vela;
Desfez-se o fogo.
Janela aberta que o vento se fez impôr.

Janela aberta que uma vida se fez passar.

Vinte tantos anos de tudo e nada:
Fogo que acende-se e apaga;
Aquece e esfria.

Tristeza indecisa; felicidade inconstante.

Assim que José viu o amor,
Fitou em seus olhos e fugiu em disparada,
Perdeu-se na vida.

Perdeu-se no mundo.

Teve medo, José,
Teve medo da vida, do mundo
Medo do povo,
Do amor que conhecia e que não.

Teve medo, José
De si mesmo e do que faria sobre isso.

Socou-lhe a si mesmo.
E olhou pela janela:
- Acorde, José. Foi só um pesadelo.

Fechou a janela.
Abriu a porta.

Foi viver, José.

Conhecer-se na vida.
Conhecer outros Josés e algumas Marias.

Ter-se na vida.

Foi viver, José.
Esquecer dos problemas que tinha e os que achava que tinha.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

De Longe

Às vezes, é preciso falar. Noutras, apenas observar.
É isso que venho tentando fazer desde que percebi que apenas falar, jogar todas as cartas na mesa, deixar tudo em panos limpos, não resolve quase nada.
Creio que deva ser um tanto maduro de nossa parte quando admitimos que erramos em um dado momento da vida e terminamos por ajudar a ruir um ou outro relacionamento. Eu me sinto meio assim em relação a alguns que tive e isso terminou ajudando a me entender melhor, entender minhas necessidades, e a fazer com que elas não atrapalhassem (tanto) uma relação posterior.
E assim, seguiu.
Cada pessoa, cada instante, cada novo sentimento, novo medo, novo sorriso, nova decepção, veio junto de uma certa experiência e um certo conhecimento de mundo.
Não quero dizer, claro, que sou o cara mais conhecedor do mundo acerca de envolvimento sentimentais, pelo contrário, por vezes acho que obtive também certos receios e dúvidas sobre as pessoas e sobre como cada uma pode ser comportar me conhecendo mais a fundo, percebendo que eu também tenho defeitos e virtudes além daquela mania, às vezes irritante, de querer ser engraçado. E nesse ponto, algumas pessoas entendem, outras nem tanto.
Hoje, apesar de ter certeza que sou menos ansioso e que consigo julgar melhor algumas atitudes de quem me cerca, também espero muito que a outra pessoa me conheça e saiba perceber quando estou bem ou quando estou mal - coisa que, em alguns casos, nem acontece. 
Não sei se posso me considerar uma pessoa carente, egoísta ou muito detalhista, mas o fato é que, sob o meu ponto de vista, é sempre bom você dar a quem você gosta, ama ou acha que gosta ou ama a possibilidade dela saber que você está lá, pensando nela, disposto a ajudá-la e a ouvi-la sempre que houver a necessidade disso.
Isso nem sempre ocorre. E me incomoda um pouco.
Para mim, apesar de poder perfeitamente envolver duas pessoas totalmente diferentes e do amor entre elas também se comportar de modo distinto, uma relação requer um pouco de igualdade de condições:  carinho gerará carinho; sorriso gerará sorriso; silêncio, lágrimas, desprezo gerarão, por sua vez, também silêncio, lágrimas e desprezo.
Claro que não se pode (tampouco se deve) ficar cobrando do outro atitudes que você tem. Mas, o que fazer afinal?
Não sei. Vai de cada um. Hoje, particularmente, prefiro apenas observar o  máximo possível, ficar na minha. Fazer a minha parte, ainda que ficar calado demais me incomode.
Falar?? Falo sim, às vezes muito, mas agora, só o necessário.
Observar, pensar, respirar, deixar as coisas acontecerem é bom.
Entender se vai ou não dar certo, apenas com o tempo.
Pessoas, sentimentos, relações têm sua particularidade.
Apenas observo e analiso. Calo ou falo.
 
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