quinta-feira, 6 de junho de 2013

Fino Paladar

Provei da tristeza, certo dia:

Cheiro de terra molhada,
Azedo gosto, como ácido em língua cortada.

Bebi-a e ela à mim
E feito jarros velhos quebrados, espalhamos-nos pelo chão,
Juntando cacos; chorando como criança nova.

Adoeci.
Morri por vezes, mas não por completo
E aqui, ainda fiquei.

Provei da dor, da angústia;
Provei da indiferença, mais tarde.

Provei daquilo que não é doce;
O que não se gosta da vida. 

E provei um pouco de mim mesmo, até:
Amargo; sem gosto.
Comum.

A gente prova da vida.
A vida prova da gente.

E o gosto dos dias mudam conforme a língua.

Provei da felicidade, noutro dia.
Provei no dia seguinte e no outro.
E no outro.

E no outro.

Era doce.

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