terça-feira, 11 de junho de 2013

Verso Atemporal ou Amor de Estações



Meu último curto grande amor se fora
Assim sem mais; sem menos.

Fora curto, assim como curto é um ciclo inteiro de estações:
Florido, no outono;
Quente, no inverno;
Estranho, na primavera;

Frio, gélido, sem vida, no verão.

Meu último curto grande amor se fora,
Mas fora grande em meu amor,
Curto em seu;
Último em meu, de novo.

Fora amor.
Fora paixão,
Chama ardente que um dia teve seu fim
No pranto que inundou e nos afogou em dor.

E a dor secou.
O amor secou.

E meu último curto grande amor
Virou última curta grande dor.
E secou.

Virou-se pra mim de novo,
Transformou-se em última curta grande alguma coisa,
Qualquer coisa.
Coisa que não sei ou me recordo bem.

Mas que já fora amor.
Grande.
Curto.
Último.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Fino Paladar

Provei da tristeza, certo dia:

Cheiro de terra molhada,
Azedo gosto, como ácido em língua cortada.

Bebi-a e ela à mim
E feito jarros velhos quebrados, espalhamos-nos pelo chão,
Juntando cacos; chorando como criança nova.

Adoeci.
Morri por vezes, mas não por completo
E aqui, ainda fiquei.

Provei da dor, da angústia;
Provei da indiferença, mais tarde.

Provei daquilo que não é doce;
O que não se gosta da vida. 

E provei um pouco de mim mesmo, até:
Amargo; sem gosto.
Comum.

A gente prova da vida.
A vida prova da gente.

E o gosto dos dias mudam conforme a língua.

Provei da felicidade, noutro dia.
Provei no dia seguinte e no outro.
E no outro.

E no outro.

Era doce.
 
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