quinta-feira, 11 de abril de 2013

Solitatis


Não morri de saudades hoje.
Senti falta, apenas.

De saudades, a gente não morre;
A gente só sente.

Se deixa dar aquele nó na garganta, 
Aquele nó na vida.
Aquele aperto no peito que a gente acha que mata,
Mas não mata.

Chora, grita, esperneia.

Mas não morre. 

Saudade...
Saudade é só saudade, simplesmente.
Só aquela lembrança boa
Que marcou, que doeu.

Que ficou.

De saudades, a gente não morre,

Mas deixa de viver, se se deixar.

Saudade não mata.
A gente que mata à ela amando mais
A gente que mata à ela desamando mais.

De saudades, a gente não morre.

De saudades, a gente só cai.
Sente o chão um pouco.
Depois levanta.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Epitáfio ou Causa Mortis



Meu amor desfaleceu-se numa noite fria de outono.
Morreu pouco depois.

Meu amor enterrou a si mesmo;
Jogou seu próprio punhado de areia;
Colheu rosas brancas;
Escolheu a lápide mais bonita.

Chorou comigo enquanto partia.
Sufocou-se em nós mesmos.

Meu amor entregou-se pouco a pouco;
Cansou-se de falar;
Abandonou o riso.
Perdeu a cor.

Meu amor renunciou seu trono por vontade própria.
Limitou os abraços,
Os beijos.

Duvidei de mim; duvidei da vida.
Culpei-me.
 
 Mas minha não era a culpa.

Meu amor não era mais nosso amor;
Não era nem meu amor.

Era só amor e nada mais.

domingo, 7 de abril de 2013

Simples Dúvida ou Complexa Certeza


O mundo girou por nós.
Atordoados deixou-nos.
Nós mesmos girando por cada um.
Atordoados de amor ficamos.


E enquanto estávamos de mãos dadas,
Girou a vida por nós também.
Atou e desatou, alegria e tristeza.
Tristeza e alegria.


Atordoado de dor, então ficamos.
E o amor e a dor por olhos diferentes escorreram.
Caíram, varreram.


Atordoados de amor e dor, restamos-nos.

Girou o mundo por nós.
Desencontramos a ele,
Desencontramos à nós mesmos.


Giramos, giramos.

E paramos, não mais tontos,
Mas distantes.

Tão perto, às vezes.
 
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