sábado, 14 de dezembro de 2013

O Que Tanto Quero E Não Quero

Não. Eu nunca quis que você me entendesse.
Como posso eu querer que entendam o que nem mesmo eu entendo? Como posso, eu, querer que entendam o que é amor? Não o seu amor, mas o meu.
Não eu não quero que você me entenda. O que quero é que você apenas saiba que o sinto, o que penso, o que sou.
Não, eu não quero que você me entenda. Eu não quero que você saiba o que é o amor. Eu não quero que você, no auge de sua juventude, nessa idade tão bonita que você tem agora, entenda o que nem eu mesmo sei explicar.
O que quero é que você me perdoe.
Perdoe-me por pensar em você quando acordo. E por sorrir quando penso em você quando acordo.
Perdoe-me por olhar para o meu lado esquerdo e te imaginar ao meu lado, respirando lentamente, como você faz quando dormimos abraçados; quando aquece mais do que o meu peito.
Perdoe-me por pensar em você quando bebo leite com chocolate no café da manhã. E por pensar naquelas torradas e bolachas que já comemos juntos algumas vezes.
Perdoe-me por torcer todos os dias que o dia termine logo para que a noite cresça; para que a gente possa se falar um pouco, ainda que às vezes só por pouco tempo.
Perdoe-me por não ter coragem de desligar o telefone ao término de cada ligação; por ficar 10% mais triste ou 10% menos feliz; por querer pegar no sono o mais rápido possível para que as horas passem logo e logo eu posso fazer tudo de novo; esperar tudo novamente. Pensar mais em você.
Perdoe esse meu jeito bobo de ser; essa minha vontade de te fazer sorrir sempre; essa minha necessidade de te ouvir gargalhando sempre que posso.
Perdoe-me por sentir meu corpo estremecer cada vez que noto uma mudança, ainda que sutil no seu tom de voz ou em sua expressão facial, cada vez que penso que você está triste ou irritada por algo que eu ou mundo fizemos.
Perdoe-me por ter medo.
Por ter medo de começar tudo; medo de não ser bom o bastante pra você;  medo de não te fazer feliz o bastante; medo de não te dar o bastante de mim.
Perdoe-me por ser assim, tão inseguro, tão medroso, tão tolo.
Perdoe-me por ser esse adulto que nem mesmo se apontaria como exemplo.
Não, eu não quero que você me entenda. Não quero que nem ao menos você fique confusa, chateada.
Não quero que você entenda o meu amor.
Não quero que você note que vinte a tantos anos de vida não foram o suficiente para entender isso que sinto por você, ou ao menos saber o porquê de isso me fazer tão bem que tenho medo de perder.
Eu não quero que você me veja fraco, que você saiba que leio Caio Fernando, Carpinejar ou Lispector. 
"Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não se cansa."
Não quero que você entenda o fato de eu ser romântico assumido e de eu querer controlar isso.
Não quero ser chato, doido, bobo. Tampouco inseguro, burro, frouxo.
O que eu quero, quero mesmo é dormir.
É ter sonhos bons.
É um abraço seu. Um beijo. Um sorriso.
O que eu quero é que você saiba que vinte tantos anos me fizeram suficientemente forte para carregar a vida; pensar; andar; ficar na praia, olhando as ondas baterem.
O que quero que você saiba é que vinte tantos anos não me foram o suficiente pra saber guardar tudo isso que sinto por você em mim. Por isso explodo, mordo, grito, sorrio. Fico olhando em teus olhos.
Por isso carrego a vida.

Penso. Ando. Fico na praia, olhando as ondas baterem.
Descobri: Eu te amo.
Ponto.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

José e a janela



Apagou-se a vela;
Desfez-se o fogo.
Janela aberta que o vento se fez impôr.

Janela aberta que uma vida se fez passar.

Vinte tantos anos de tudo e nada:
Fogo que acende-se e apaga;
Aquece e esfria.

Tristeza indecisa; felicidade inconstante.

Assim que José viu o amor,
Fitou em seus olhos e fugiu em disparada,
Perdeu-se na vida.

Perdeu-se no mundo.

Teve medo, José,
Teve medo da vida, do mundo
Medo do povo,
Do amor que conhecia e que não.

Teve medo, José
De si mesmo e do que faria sobre isso.

Socou-lhe a si mesmo.
E olhou pela janela:
- Acorde, José. Foi só um pesadelo.

Fechou a janela.
Abriu a porta.

Foi viver, José.

Conhecer-se na vida.
Conhecer outros Josés e algumas Marias.

Ter-se na vida.

Foi viver, José.
Esquecer dos problemas que tinha e os que achava que tinha.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

De Longe

Às vezes, é preciso falar. Noutras, apenas observar.
É isso que venho tentando fazer desde que percebi que apenas falar, jogar todas as cartas na mesa, deixar tudo em panos limpos, não resolve quase nada.
Creio que deva ser um tanto maduro de nossa parte quando admitimos que erramos em um dado momento da vida e terminamos por ajudar a ruir um ou outro relacionamento. Eu me sinto meio assim em relação a alguns que tive e isso terminou ajudando a me entender melhor, entender minhas necessidades, e a fazer com que elas não atrapalhassem (tanto) uma relação posterior.
E assim, seguiu.
Cada pessoa, cada instante, cada novo sentimento, novo medo, novo sorriso, nova decepção, veio junto de uma certa experiência e um certo conhecimento de mundo.
Não quero dizer, claro, que sou o cara mais conhecedor do mundo acerca de envolvimento sentimentais, pelo contrário, por vezes acho que obtive também certos receios e dúvidas sobre as pessoas e sobre como cada uma pode ser comportar me conhecendo mais a fundo, percebendo que eu também tenho defeitos e virtudes além daquela mania, às vezes irritante, de querer ser engraçado. E nesse ponto, algumas pessoas entendem, outras nem tanto.
Hoje, apesar de ter certeza que sou menos ansioso e que consigo julgar melhor algumas atitudes de quem me cerca, também espero muito que a outra pessoa me conheça e saiba perceber quando estou bem ou quando estou mal - coisa que, em alguns casos, nem acontece. 
Não sei se posso me considerar uma pessoa carente, egoísta ou muito detalhista, mas o fato é que, sob o meu ponto de vista, é sempre bom você dar a quem você gosta, ama ou acha que gosta ou ama a possibilidade dela saber que você está lá, pensando nela, disposto a ajudá-la e a ouvi-la sempre que houver a necessidade disso.
Isso nem sempre ocorre. E me incomoda um pouco.
Para mim, apesar de poder perfeitamente envolver duas pessoas totalmente diferentes e do amor entre elas também se comportar de modo distinto, uma relação requer um pouco de igualdade de condições:  carinho gerará carinho; sorriso gerará sorriso; silêncio, lágrimas, desprezo gerarão, por sua vez, também silêncio, lágrimas e desprezo.
Claro que não se pode (tampouco se deve) ficar cobrando do outro atitudes que você tem. Mas, o que fazer afinal?
Não sei. Vai de cada um. Hoje, particularmente, prefiro apenas observar o  máximo possível, ficar na minha. Fazer a minha parte, ainda que ficar calado demais me incomode.
Falar?? Falo sim, às vezes muito, mas agora, só o necessário.
Observar, pensar, respirar, deixar as coisas acontecerem é bom.
Entender se vai ou não dar certo, apenas com o tempo.
Pessoas, sentimentos, relações têm sua particularidade.
Apenas observo e analiso. Calo ou falo.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Manual De Mim Mesmo [Nota]


Sou desse tipo de gente que a sociedade chama de estranha.
Não gosto do óbvio. 
Não gosto de carne. 
Não gosto de gente muito bonita, nem confio. Penso logo que são arrogantes.
Gosto de gente que gosta de rir; que não tem vergonha de dar uma gargalhada por mais bobo que pareça o motivo. Gosto de fazer os outros rirem; de sentir a alegria deles entrar pelos meus olhos e ouvidos e atingir meu coração, minha timidez - que muitos acreditam que não tenho, mas que tenho de sobra -, meu riso, também.
Gosto de dar um abraço forte em meus pais, amigos ou qualquer animal ou objeto que goste muito e que me faça sorrir mais que antes.
Gosto de estar junto. Gosto que me abracem também: de frente, de lado, até de costas (desde que não sejam homens). Gosto de dormir abraçado; acordar abraçando.
Gosto de dizer o quanto uma pessoa significa pra mim, de me apaixonar por pessoas especiais - aquelas que considero diferentes das demais. Gosto de olhar nos olhos, de dar beijo na testa, de morder.
Gosto de sentir o gosto de um beijo sincero, de um beijo risonho, beijo emocionado. Beijo assim também. Beijo com amor. Com amor, porque todo beijo devia ser assim, senão não era pra ser beijo, só distração.
Gosto de ter saudade. E detesto também. Gosto por me fazer ver que sou humano, que posso gostar de alguém. Detesto pelo mesmo motivo, por me sufocar, por me deixar fraco.
Detesto mentiras, mas conto algumas também. Sou minha vítima favorita. Invento que sou forte; que nada me atinge; invento sorrisos em mim mesmo para que pensem que estou bem; invento falta de amor, quando na verdade tudo que sou é o próprio amor necessitando de mais amor.
Sou desse tipo de gente que a sociedade chama de estranha.
Até devo ser isso mesmo.
Às vezes, chamam-me de simpático, de bonito, de engraçado, de amigo. Dizem que sou cínico ou verdadeiro demais. Dizem que me importo demais ou de menos.
Dizem que sou romântico demais; cachorro demais.
Mas a verdade é que sou de extremos opostos. Sou um muito de cada, mas mudo com frequência.
Já ri muito. Já chorei muito. Já fiz o mesmo pelas pessoas também.
Já quis me apaixonar por quem gostava de mim; já quis me desapaixonar por quem não valia um olhar meu.
Certa vez, uma moça me disse que eu era intenso. Acredito que seja isso mesmo. Muita confiança e desconfiança juntos; segurança e insegurança juntos. Muita coisas diferentes juntas. Muito muito.
Mas o que sou, afinal?
Eu sou apenas isso tudo que já foi dito. Sou uma bolsa de erros e acertos. Um poço de maturidade e imaturidade adquiridas com o tempo e com as pessoas que sorriram e choraram comigo.
Intenso. Sim, intenso.
Gostaria que fosse menos, na verdade.
Mas, é bem verdade também, que queria ser muito mais intenso sob alguns aspectos nos quais ainda sou um "lerdo".
Sim, eu sou bastante estranho.
Estranho o bastante para escrever o que sou, do que gosto e desgosto.
Estranho o bastante para amar certas pessoas, odiar saudade, gostar de beijos na testa, abraços, sutilezas e de ser lembrado, ser amado.

Jovem de 25 anos, segundo o registro geral.
Criança de 3; Adolescente de 15; idoso de 60, segundo a vida. 


Estranho. Intensamente.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Nota de Canto de Página ou De Canto de Ouvido

Não, não é saudade,
Isto que sinto

Não é saudade, pois saudade se escreve em letras,
Se escreve em pranto ou dor,
Em ansiedade, às vezes.
Papel em branco, pensamento rabiscado.

Isto que sinto é flor em meio à seca,
Vento que sopra em rosto molhado,
É cheiro, é gosto,
Alívio.

Não, não é saudade,
Não, saudade, isto que sinto,
Isto que me tem,

Isto que me respira
E eu à ele.

Saudade é outra coisa.
É beijo, é abraço, é corpo.

Não é saudade, isto que sinto.

Isto que sinto é jeito, é sorriso
É olhar que faz a gente olhar também,
Que faz a gente fechar os olhos e ainda olhar, 
Que paralisa, que renova.

Isto que sinto não se escreve em letras em papel em branco.
Não me rabisca.
Não me dói, não me mata.

Isto que sinto não é saudade.

Não isto que me acalma,
Não isto que me ganha,
Que me tem e me escreve na alma.

Não é saudade.

É um sentimento desses que a gente só sabe que tem
Que vem uma vez por vida.
Que trazem pra gente.

Isto que sinto não é saudade.

É conversa no canto do ouvido,
É beijo na testa.

É ela em mim.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Recria



O amor chegou.
Recriou.
Fez do mundo, novo mundo.

E o velho, virou novo,
O novo, velho;
O silêncio converteu-se em música;
 
E os aplausos assim se fizeram
Quando do drama, vieram a comédia e o romance.

O amor pintou,
Coloriu.

E o preto e branco de outrora,
Arco-íris com ouro, tornou-se
E sobre nós pairou.

E o sol e as nuvens dançaram
Quando da chuva, um beijo veio.

E o amor chegou.
Recriou.

Casou destino e coincidência,
Tempos diferentes, sorrisos.

E a felicidade assim se fez.

E o amor recriou,
E nos criou um tanto mais.

E ficou.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Sobre Saudade



Minha saudade não é dessas comuns;
Não chora;
Não me desfaz.

Minha saudade se mede em distância
160 Quilômetros ou pouco mais.

Saudade-estrada que segue retas,
Cruza curvas perigosas,
Sobe serras, desce pontes.

Saudade-lanche que alimenta meu amor,
Meu sorriso, meu beijo.
Minha paz.

Minha saudade é nome de mulher,
É cabelo ao vento, olhar ingênuo.
É suor, é sorriso, é música.

É moça pequena,
Pele porcelana,
É anjo, é flor.

Minha saudade é saudade de rir com ela
De encostar nossas bochechas, de cheirar-lhe a testa,
Repousar em abraços.

Minha saudade é estrada, é distância.
É mulher, é amor.

Minha saudade é um pôr-do-sol tranquilo.

Minha saudade é dela.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Depois de Nós



Depois da queda, a levantada;
Depois da tempestade, a calmaria;
Depois da dor, o alívio;
Depois do medo, a coragem;
Depois do grito, o silêncio;
Depois da noite, o dia;
Depois do frio, o abraço;

Antes, eu;
Antes, você.

Depois de você, eu;
Depois de mim, você;

Depois do beijo, o sorriso;
Depois, nós.

Depois de nós, amor.
Depois, amor.

Depois, só depois.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Boba Mini-História



Boba história
Virou mini-história de amor
Amor de história,
Ou só um mini-amor de amor.

E os olhos calaram;
A boca apertou;
Os ouvidos ouviram

E o nariz,
Só cheirou mesmo,
Sem poesia mesmo.

E medo do passado
Passado ficou, sem medo
E o medo do amor,
Tornou em amor sem medo.

E os olhos sorriram;
E a boca chorou;
Os ouvidos sentiram;
Do adeus, restou.

Outra dessas de amor.
Outra dessas sem dor.

Ainda de um só lado;
Mas ainda de amor.

Dançou, beijou;
Olhou; penou.
Andou, andou.

Rodou.

Virou boba história;
Bobo amor;
Boba mini-história de amor.

Dançou, beijou;
Olhou; pensou.

Ficou, ficou.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Casos Sem Acasos



Não foram os problemas quem escolheram suas consequências;
Nem as consequências quem escolheram suas causas;
Nem as causas escolheram suas pessoas;
Nem as pessoas quem escolheram outras pessoas
Nem as outras pessoas quem escolheram outras pessoas;
Nem essas outras pessoas quem escolheram aquele show.
Nem aquele show quem escolheu a mim.

Não foram os problemas que escolheram ser problemas,
Ou suas consequências e causa que se escolheram como tais.

Não foi a moça quem escolheu ter asas invisíveis;
Ser anjo;
Voar daquele jeito.
Ter aquele sorriso discreto.

Não foi o medo quem escolheu me dar calafrios;
Nem os calafrios escolheram me fazer não olhar pra frente.

Fui eu.

Eu quem escolhi fazer do problema um problema;
Escolhi dizer "sim" e "não";
As causas e consequências;
As pessoas e o show.

Escolhi o anjo, o sorriso.

Eu.

Eu quem escolhi me aproximar;
Eu quem escolhi ter medo do futuro.

E eu quem escolhi isso tudo,
E escolhi não querer se afastar;
Não esquecer.

Eu, não o acaso.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sem Apelido



Vivo do medo,
Medo do feliz.

Medo de ser feliz;
Medo de não ser feliz;
Medo de não fazer feliz.

Medo de fazer feliz.

Medo do viver só.
Estar só;
Rir, chorar.

E, em meio ao medo,
Medo esse de estar só,
O medo de se aproximar demais, idem.

Medo do querer;
Do precisar de alguém;
Medo do querer rir e chorar, mas não sozinho.

Medo.

Por isso o medo de olhar em seus olhos;
De sentir seu rosto; teu gosto.
Querer conhecer-te mais.
Querer-te mais.

Medo de meu romantismo idiota.

Medo desses nossos beijos estranhos;
Essas nossas piadas estranhas.
Desse nosso silêncio estranho.

Medo dessa minha velhice; sua juventude;
Minha juventude; sua velhice.

Medo dessa nossa inventada felicidade.

Medo de viver sem não pensar em nada.

Por isso a distância;
Por isso a demora;
Por isso esse meu olhar torto.

Essa necessidade tamanha de encontrar teus defeitos.

Essa minha mania de não te chamar pelo apelido.

Por isso esse meu jeito todo estranho de dizer que quero te ver de novo.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Rascunho do Mero Inabalável Desamor

Não me tenho,
Tampouco te tenho.

Não acredito em nós por nós.

Não me falo de amor;
Não te engano.
Não me esqueço dos fins 
- Dos certos e errados.

E eis o amor:
Vasta Caixa de Pandora, caixa de nada.
Lar de dor fantasiada de sorriso;
Riso travestido de pranto.

E quanto a mim,
Mero inabalável "não me tenho; não te tenho";
Não tenho a nós como um.

Eu, que não sei do amor:
Aonde vive; o que come;
Quando voltará ou se.

Sei só de mim ou nem disso:
Beijo que não quero dar; 
Dor que não quero sentir;
Sonho sem poder sonhar.

Amo uma mentira.
Desamo, na realidade.

sábado, 10 de agosto de 2013

Segunda-feira

 

Hoje,
Tempos depois, mas antes que o nunca
Regresso à tranquilidade a pouco já vivida.

Às lembranças de outrora,
Agora somente pegadas enterradas nas areias do esquecimento;
Erros perpetuamente trancafiados no nada.

Devagar,
Deixo o velho perfume perder-se na brisa da nova manhã;
Respiro destes sóis que só agora noto.

Revivo,
Vivo de novo.
Lanço-me novamente ao inevitável instante dos justos e injustos.

Hoje,
Tempos depois, mas não tão tarde.
Regresso à vida que a mim era mais digna e feliz.

Hoje,
Tempos depois, mas antes que o nunca,
Tenho de novo segundas-feiras e o resto da semana.

Brindo à loucura antes esquecida.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Verso Atemporal ou Amor de Estações



Meu último curto grande amor se fora
Assim sem mais; sem menos.

Fora curto, assim como curto é um ciclo inteiro de estações:
Florido, no outono;
Quente, no inverno;
Estranho, na primavera;

Frio, gélido, sem vida, no verão.

Meu último curto grande amor se fora,
Mas fora grande em meu amor,
Curto em seu;
Último em meu, de novo.

Fora amor.
Fora paixão,
Chama ardente que um dia teve seu fim
No pranto que inundou e nos afogou em dor.

E a dor secou.
O amor secou.

E meu último curto grande amor
Virou última curta grande dor.
E secou.

Virou-se pra mim de novo,
Transformou-se em última curta grande alguma coisa,
Qualquer coisa.
Coisa que não sei ou me recordo bem.

Mas que já fora amor.
Grande.
Curto.
Último.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Fino Paladar

Provei da tristeza, certo dia:

Cheiro de terra molhada,
Azedo gosto, como ácido em língua cortada.

Bebi-a e ela à mim
E feito jarros velhos quebrados, espalhamos-nos pelo chão,
Juntando cacos; chorando como criança nova.

Adoeci.
Morri por vezes, mas não por completo
E aqui, ainda fiquei.

Provei da dor, da angústia;
Provei da indiferença, mais tarde.

Provei daquilo que não é doce;
O que não se gosta da vida. 

E provei um pouco de mim mesmo, até:
Amargo; sem gosto.
Comum.

A gente prova da vida.
A vida prova da gente.

E o gosto dos dias mudam conforme a língua.

Provei da felicidade, noutro dia.
Provei no dia seguinte e no outro.
E no outro.

E no outro.

Era doce.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Sobre Abraços

...E o garotinho, com seus curtos braços de seis anos,
Abraçou-me mais que uma enfêmera parte física.

Tocou-me o coração.
Travou-me a garganta.

Despediu-se, como fizera sua mãe, aos olhos marejados.
 
E uma última lágrima desceu-me, 
Até ser encerrada num decepcionante sorriso de descrença.

Olhei para o céu.

Não era só mais um conto ou poesia:

Foi-se a vida, a pouco minha.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Solitatis


Não morri de saudades hoje.
Senti falta, apenas.

De saudades, a gente não morre;
A gente só sente.

Se deixa dar aquele nó na garganta, 
Aquele nó na vida.
Aquele aperto no peito que a gente acha que mata,
Mas não mata.

Chora, grita, esperneia.

Mas não morre. 

Saudade...
Saudade é só saudade, simplesmente.
Só aquela lembrança boa
Que marcou, que doeu.

Que ficou.

De saudades, a gente não morre,

Mas deixa de viver, se se deixar.

Saudade não mata.
A gente que mata à ela amando mais
A gente que mata à ela desamando mais.

De saudades, a gente não morre.

De saudades, a gente só cai.
Sente o chão um pouco.
Depois levanta.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Epitáfio ou Causa Mortis



Meu amor desfaleceu-se numa noite fria de outono.
Morreu pouco depois.

Meu amor enterrou a si mesmo;
Jogou seu próprio punhado de areia;
Colheu rosas brancas;
Escolheu a lápide mais bonita.

Chorou comigo enquanto partia.
Sufocou-se em nós mesmos.

Meu amor entregou-se pouco a pouco;
Cansou-se de falar;
Abandonou o riso.
Perdeu a cor.

Meu amor renunciou seu trono por vontade própria.
Limitou os abraços,
Os beijos.

Duvidei de mim; duvidei da vida.
Culpei-me.
 
 Mas minha não era a culpa.

Meu amor não era mais nosso amor;
Não era nem meu amor.

Era só amor e nada mais.

domingo, 7 de abril de 2013

Simples Dúvida ou Complexa Certeza


O mundo girou por nós.
Atordoados deixou-nos.
Nós mesmos girando por cada um.
Atordoados de amor ficamos.


E enquanto estávamos de mãos dadas,
Girou a vida por nós também.
Atou e desatou, alegria e tristeza.
Tristeza e alegria.


Atordoado de dor, então ficamos.
E o amor e a dor por olhos diferentes escorreram.
Caíram, varreram.


Atordoados de amor e dor, restamos-nos.

Girou o mundo por nós.
Desencontramos a ele,
Desencontramos à nós mesmos.


Giramos, giramos.

E paramos, não mais tontos,
Mas distantes.

Tão perto, às vezes.

domingo, 24 de março de 2013

O Poder De Um Não


É difícil aceitar quando estamos diante de situações que contrariam nosso modo de ver o mundo . Isso é uma máxima para a vida inteira.
Quando crianças, insistimos para que nossos pais aceitem diversos pedidos ingenuamente selecionados por nós, e, ocasionalmente, 'não' é uma resposta bastante possível e razoável.
Então, vamos crescendo e a capacidade de assimilarmos e aceitarmos melhor uma resposta negativa vai mudando, sendo melhor recebida ou não. Dessa forma, baixar a cabeça, ficar com raiva e/ou triste com o lado que partiu a negativa, chorar, angustiar-se são apenas algumas das reações mais frequentes ao ficar cara-a-cara com um 'não'.
Não sou nenhum psicólogo ou especialista no assunto, mas se pensarmos com mais calma, receber uma resposta negativa pode servir (em muito) para uma evolução pessoal, um amadurecimento, um possível engradecimento no modo de pensar, falar, escutar e agir.
Receber um 'não' ajuda o ser humano a fazer uma análise crítica sobre o que deu errado, que pontos poderiam ter sido melhorados ou, inclusive, oferece a possibilidade de refletirmos sobre o porquê de escolhermos algo ou alguém em detrimento de outras coisas ou pessoas.
Não vamos dizer aqui que é fácil receber e aceitar um 'não'. Obviamente, esta 'aceitação' nem sempre vem na velocidade que queremos. Dependendo da situação, pode-se demorar dias, semanas, meses e, até, anos e mais anos. O que, possivelmente, pode cooperar - ou o que coopera - de maneira marcante nestes casos é a autoconfiança e o amor-próprio do indivíduo. Sem egocentrismo, afirmar a si mesmo coisas como 'sim, eu quero; sim, eu posso superar e crescer com isso', focando e acreditando que sejamos pessoas capazes de algo melhor.
Só a partir do momento em que conseguimos obter um controle melhor de nós mesmos, emocionalmente falando, é que vamos poder, de fato, saber diferenciar e aproveitar os prós e os contras de recebermos um 'sim' e um 'não.
Um 'não' hoje, não exatamente terá de ser um 'não' amanhã e se for, o jeito é aceitar. Não devemos nos apegar tanto a opiniões que nos fazem mal. Devemos sim, enfrentá-las e, posteriormente superá-las. É assim que a vida defina seus vencedores e perdedores. É assim que nós mesmo definimos que são os nossos vencedores ou perdedores.  

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sem Título ou Tristeza Aparente

Tristeza, talvez.

Esse desgosto, esse nó,
Essa vontade de falar, de dizer além do que se pode.
Esse choro reprimido, inalcansável,
Incansável.

Tristeza, talvez.

Tristeza pelos sorrisos cessados e pelos ainda por vir;
Pelas palavras bonitas, acompanhadas de beijos.
Dor pela memória daqueles dias inacabáveis.

O amor desgarrou-se de ti.
Decidiu soltar de tuas mãos, deixando apenas o pó de nós dois,
Aquele pouco que ainda restante.

E que falar de mim senão que me entristeço os dias ao olhar o espelho,
Ao acordar e dormir;
Ao te notar triste agora,
Ao saber que fora eu quem desacreditou, quem te desacreditou.

Talvez estejamos tristes.
Até sabe-se quando.

Tristes por saber que poderia dar certo;
Tristes pela dúvida, pela mágoa, pelo que tudo se tornou.

Por saber que tudo fora amor.
Agora, tristeza, talvez.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Canto



Foste, morena.
Passaste.
Fechei a porta e num canto qualquer dali, fiquei.

Passaste e levaste meus sonhos, seus beijos

A alma amante que tínhamos.

Restou-me esta dúvida sobre minhas certezas, este canto,
O que mudou do resto do mundo;
As novas pessoas novas.

Foste, morena.
Foste assim:
Calada como este fim de nosso novo amor
Ou começo d'um velho.

Indiferente, segura;
Sofrida. 

Foste meu sol, meu norte.
Foste sim; não por vezes.
Foste mais.

Mas foste.
Foste, enfim, fim.

Restou-me, aqui, a mim mesmo.
Este álcool, esta cadeira velha;
Lágrimas para salgar.

Lembranças.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Assassínio



Paola não escreveu novas cartas de amores;
João não atendeu o telefone;
Antônia não beijou-lhe a testa;
Davi não lhe falou suas dores.

Sandra não olhou seus olhos;
Jorge não elogiou sua roupa;
Maria não tocou-lhe o rosto;
Ivan não comeu do jantar.

Mataram o amor à sangue frio.

Jogaram-lhe os restos em sacos plásticos.
Queimaram e ele desfez-se em cinzas.
Despejado, depois, em câmara amorfa;
Jogado no mar.

Mataram o amor à sangue frio.
Sem rezas,
Sem velório.
Sem adeus.

Sem rosas brancas,
Sem beijos.

Mataram o amor sem dizer-lhe o porquê.




 
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