terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Vagante


O amor tocou no peito do pobre rapaz,
Enlouqueceu a engenhosa menina da esquina,
Prendeu o pai, matou a mãe, chocou os irmãos.

O amor destruiu o beijo perfeito do casal do número 20,
Corrompeu a intuição da tia de Maria,
Encerrou os sonhos de José.

Desfez, ainda, o aberto sorriso da senhora dos óculos vermelhos,
Queixou-se do modo de andar e do vestido da mulata,
Destruiu a castelo de cartas da esposa de Cândida.

O amor passou pela pacata Rua da Alegria,
Permitiu-se entrar em cada vão de cada casa,
Mexer em cada ansioso coração que ali vivia.

O amor entristeceu e mudou os felizes daquele lugar.

O amor entrou ainda no quarto de João,
Entrou na cozinha de Hortência,
Mudou os dois, que já eram tristes.

O amor os fez se conhecerem, abraçarem, beijarem.
Os fez também casarem e saírem da Rua da Alegria.

O amor - este também saiu da Rua da Alegria -
Perambulou pelo mundo, entrou em outras casas.

Veio a mim.

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