segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Óptica




E numa dessas encruzilhadas quaisquer,
Topou meu olhar no teu.

Olhou, desacreditou e tornou a olhar,

Olhou tanto que, então, tornei-me teu olhar também.
Encruzilhei-me, então, numa bela vista constante.

Tamanha paisagem perfeita,
Gravei na retina como se tatuagem de cor fosse;
E do olhar negro de outrora, 
Tornei-me hoje olhar de céu em aquarela;

Alternado prisma, ainda que em mínimo pestanejo.

Topou, também, teu olhar no meu,
E, numa dessas encruzilhadas quaisquer,
Viste meus olhos reluzindo ao te ver.

Viste, ainda que sonolenta,
E os banhaste, então, em satisfeitas lágrimas,
Aquelas mesmas, antes desacreditadas, antes sofridas.
Radiantes, agora.

Eis, como ressonância de olhares, que trocamos a vida,

Vivendo a olhar além de cada um: os dois em um;
Destrancando, destrocando, encruzilhando-nos um pouco mais que antes.

E, numa dessas encruzilhadas quaisquer,
Topou meu olhar no teu, teu olhar no meu.
Toparam, cruzaram.

E não se descruzaram mais.


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