quinta-feira, 26 de abril de 2012

Repintura

Retoca, o amante, seu amor;
Pinta de novo o novo coração desbotado,
As velhas flores, o vermelho cintilante.

Redesenha-o com outros traços;
Dá-o brilho nascente.
Equilibra-o à inevitável sombra.

Aperfeiçoa, assim, o tão antes perfeito.

Limpa, em lágrimas, a tinta antiga;
Seca para nunca mais.
Borra o sofrimento;
Apaga um fim.

Amor de peito como tela.
Amado como obra-prima;
Amante como artista;

Faz o céu e nele vive.
Dá as mãos;
Corre ao infinito.

Amante-artista;
Artista-amante.

Repinta o mesmo amor todos os dias.

domingo, 15 de abril de 2012

Versos do Amor Bêbado



Assim, veio o amor:
Trôpego,
Estranho,
Negativo.

Olhou-me,
Riu-me,
Beijou-me, enfim...

E riu-me um tanto mais, como que de praxe.

Quis sair;
Voltar;
Congelar-me a mente em único pensamento;
Girar comigo pelos dias e vida.

Eis que eu, confuso de sempre;
Duvidei-me, então,
Calei-me, então.
Neguei; afirmei; joguei-me contra mim mesmo.

E me perdi...
Perdi-me em ti.
E venci a mim mesmo.

E vencemos.
E amamos.
E cá estamos.

Dormimos.
Acordamos.
Eu aqui; tu aí;
Tu aqui: eu aí.

E, enfim, nós juntos.

Abraços, beijos e gritos de saudade.
Whisky, tequila e algo mais a nos atiçar o sex appeal.

Despedaços


Flor vermelha a secar em solo árido;
Despedaça a si mesma,
E pétalas d'um jovem pobre coração.

Sangra o vermelho púrpura,
Aquele antes belo enfeite de jardim,
Antes símbolo e sentido de vida.

Murcha como sorriso falso em dia triste;
Pisoteada como esperança de amores falhos.

E a felicidade,
Esta de outrora, provisoriamente, omitida;
Brinca de esconder;
De não existir.

Semeia a dor um tanto a mais.
Despedaça a pobre flor,
Esgota, quase, seu perfume.
Seca, morre, desprende-se de mim.

Sangra pétala, amor e dor.

Suspira, então, uma vez;
Insiste em gotículas d'água.

Colore ainda o chão tão antes monocromático, batido,
Abatido.

Vive seu último e mais forte cheiro.

Entrega-se ao vento e à sorte.
 
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