Vejo-te nos espelhos quebrados de meu eu,
Mais profundo eu que conheço.
Obscuro abismo perdido.
Estilhaçada, tu estás,
Como a mim, também, quando amei-te,
Entreguei-me a ti, como frágil vidro.
Quebrei-me, então.
Quebrei-me, então.
Confusa, reflete-te,
Assim como éramos nós:
Ausentes e presentes em errôneos instantes,
Amor distorcido que era.
E tu em cristal, não mais quero,
Pois quebrado que és,
Dilacera-me a carne e alma.
Dilacera-me a carne e alma.
Marca-me como em tempos passados.
E eis que livrei-me então desse nosso espelho,
Velho espelho inútil
Punha-nos, antes, como quase iguais.
E vejo-te, então, em pedaços,
Migalhas q sem forma trabalham.
E te cubro em tecido.
Jogo-te mais fundo num esquecido eu.










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