sábado, 28 de janeiro de 2012

Dias Em Linhas

Poesia...

Ser poesia é fácil;
Ser versos, rimas,
Virar estrofe,
Descansar e ser outras depois.

Difícil,
Difícil mesmo é ser saudade;
É ser silêncio,
Olhar a vida de longe.

Ser ponto final em lugar de reticências.

Daí o choro, o frio,
Essa vontade de abraçar meu pensamento,
De beijar,
De criar esse mundo perfeito pra gente viver junto.

É que a vida se cria em versos curtos,
Estrofes longas,
Pontos finais desnecessários,
Sonhos, desejos e falta deles.

Assim que a gente se perde.
Eu,
Você,
Todo mundo.

Achamos, depois.
E matamos a saudade e a temos de novo.

Por isso a poesia vem fácil.
Milhares dela.

E somos então só isso.
Reunidos em pensamento alegre e triste.

Sendo versos, linha após linha;
Dia após dia.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Morena Moça Bonita



Moça bonita
Veste-se bem de morena e sorriso;
Bebe um tanto de felicidade.
E me vem.

Vem assim, com dança bagunçada; 
Harmonia hipnotizante.
;
Enrola os cabelos;
Enrola-me a mente;

E diz que a vida é boa.

E boa que é, a moça,
Cega-me e me faz ver melhor;
Ver o mundo em laranja e verde, então,
Tão singelo, calmo, perfeito.

E me vem, assim, de repente:
Uma, duas, três vezes.

Olha-me.
Abraça-me.
Beija-me.

E acordo.

Já saudade, talvez,
E um destino cruel que dá e tira.
 
(E nossos nomes assinados ainda em letras miúdas.)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Negociata



Vende-se, o amor.

Vende-se por não mais querer-me,
E eu a ele.
Desacreditados que somos, mais que antes.

Desvincula-se, livra-me;
E fingimos nos esquecer como de mero brinquedo velho, 
Sem tanta graça; tanta cor. 
Sem importância.

Assim que se vai (ou se quer que vá):
Gasto, vendido, desdenhado,
Como se choro e dores fossem vendidos;
Como se lembranças envelhecessem e partissem.

Corações e cifras que multiplicam-se,
Dividem-se também.

Desvalorizado, falho.
Errado, magoado.
Vai-se. 

Vende-se, o amor;
Dá-se, por vezes, a qualquer um.

Entrega-se em pranto a outro dono.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ilusão e Flores


E os olhos mentem para a mente
E a mente para os olhos e o coração...

Vem assim, a ilusão:
Flor de papel vista de longe,
Bela, ainda que sem cheiro e vida,
Leva a atenção do mundo.

Quanto ao amor,
Assim também, por vezes.

E os olhos se enganam,
Como a mente e o coração;
E o amor surge e some como chuva em flor de papel.

Ilusão assim,
Sempre tão confusa e pura;
Sempre tão flor real e de papel.

Sempre tão flor de papel real.

E o coração que se engana,
Mente.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Estilhaços



Vejo-te nos espelhos quebrados de meu eu,
Mais profundo eu que conheço.

Obscuro abismo perdido.

Estilhaçada, tu estás,
Como a mim, também, quando amei-te,
Entreguei-me a ti, como frágil vidro.
Quebrei-me, então.

Confusa, reflete-te,
Assim como éramos nós:
Ausentes e presentes em errôneos instantes,
Amor distorcido que era.

E tu em cristal, não mais quero,
Pois quebrado que és,
Dilacera-me a carne e alma.

Marca-me como em tempos passados.

E eis que livrei-me então desse nosso espelho,
Velho espelho inútil
Punha-nos, antes, como quase iguais.

E vejo-te, então, em pedaços,
Migalhas q sem forma trabalham.

E te cubro em tecido.

Jogo-te mais fundo num esquecido eu.

 
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