Conjugo a vida como quem vive em verbos:
Passados,
Futuros,
E um presente, apenas meu.
Eu, tu e eles
Nessa pluralidade quase singular:
Ativas vozes, nem sempre de bom grado,
E punhado d'uma quieta e irritante passividade.
Componho-me,
Termino-me.
Cumprimento-te e dispenso-te.
Eis a vida como é:
Dias, ventos, dúvidas;
Poesias em primeira pessoa do presente;
Dores em pretérito mais-que-perfeito.
E o futuro,
Esse sempre tardio, sempre confuso,
Sempre ultrapassado.
- Sorriso meu, que desfez-se e nem percebeste.
- Beijo nosso que passa sem que sintamos. 









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