domingo, 20 de novembro de 2011

Versinhos de Amores Repetidos




Eu te amo, 

Ainda que não saiba;
Que não entenda;
Ainda que não caiba,
Te amo.

Ainda que não sinta;
Que não meça;
Ainda que não minta,
Mas te amo.

Ainda que não mostre;
Que não note;
Ainda que não goste,
Só te amo.

Ainda que não me faça parte;
Que nem beije, abrace, nem queira;
Ainda que não te ponha um anel dourado;
Que não viva tudo isto que me crio,

Eu te amo, assim mesmo
Sem culpa, rodeios, medos.

Repetidamente, só.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Veto


Nego o amor como quem nega a dor.

Nego à mim, por medo,
À ti, por lógica.

Nego pelo passado, pelo presente,
Também o futuro;
Incerteza de todo esse tempo.

Nego-me como quem peca em sonhos;
Nego-te como quem sonha em pecado, somente;

Assim, infiro o testemunho menos verdadeiro;
Dou-me um alívio imediato;
Droga que faz abstinente.

E nego os dias que me passaram sem ti.
Nego a saudade,
Teus olhos, tua boca em mim.

Nego ao amor como quem nega à dor.
Nego em receio, ainda sim.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Incoerência


Nós,
Amor quase perfeito que tanto se imperfeita,
Assim se deixa e se entrega a porquês.

Amor, esse nosso,
Quase sinônimo, quase platônico.
Irônico, às vezes, somente.

E quando és faísca,
Sou calor de brasa inteira.
E incendio nos tornamos,
Fumaça, odor, cinzas.

E enquanto és dor,
Sou lágrimas mais tristes.
E o pranto nos encerra,
Gole seco em alma soluçante.

Enganamos, traímos, fugimos.
Morremos três ou quatro vezes mais.

Amamos outras tantas, assim.

E foste poesia enquanto eu era prosa;
E foste amizade quando eu era amor;
E foste amor, quando eu, amizade apenas.

Eis que o perfeito imperfeita-se d'uma vez, então.

Amor que fora,
Incoerência tamanha.

domingo, 6 de novembro de 2011

Em Branco


Escrevo à saudade em papel de lágrimas.

Silêncio fúnebre, palavras tristes gritando em dor
Alma faminta devorando recortes do tempo,
Sangra dúvidas antes complacentes.

Penso em ti.
Penso, assim como em mim:
Sorrisos, verdades, mentiras.
Flores, às vezes.

E minha pele tem à ti como perfume;
Meus olhos, à ti como paisagem.
E minha mente, incógnita que é,
Tem-te também como incógnita.

Aconchego, este que desejo d'um abraço teu,
Junta-me a pele, ainda arrepiada em recortes;
Calor que me passavas.

Aqueço a mim num abraço solitário, então.

E em espaço, hoje branco,
Teu nome haverei de escrever, talvez.
Assim, junto ao meu.

Se te amo, não sei;
Mas te quero, ainda que não saiba quanto.


*Post com a colaboração dos sentimentos da amiga Rayanne Araújo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Microamor


E digo que te amo antes do fim d'um minuto.

Vem o coração,
Abre sua janela e apresenta-te em visita rápida.

Microamor de olhar e lábios,
Faísca de calor que sobre o fogo, desconhece,
Esfria tão antes de arder.

Tentação, então,
Engana assim, como frase de boca afora,
Nunca adentrada n'alma;
Tímida ou cruel que fora sempre.

Paixão de tarde ou noitinha;
Meros caminhos distintos que, ao acaso, cruzaram-se;
Retornam, agora, aos percursos de outrora.

Lamento, eu;
Fecho-me, apenas: ensaio um adeus tácito.

E esqueço-te antes d'uma ocasional saudade.
 
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