segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Deveres ou Passo Em Falso


(E eu feche os olhos e ensurdeça -
Ou devesse, pelo menos.)

Vejo-te passar assim: 
Vez por outra;
Nessa beleza tímida, avermelhada;
Voz de dúvida, que me duvida também;

Tanto que me encanta; tanto me engana;
E, por vezes, chamo a ti de saudade,
Bobo que fico.

Tu, a rir:
Cabeça para trás, às vezes em mim;
Segues assim: como se o mar fosse só teu;
A meia lua fosse só tua.

Aproveitando-se do sopro dos ventos
E do silêncio de nós mesmos.

Sem admitir, também siga sendo só teu,
Ainda que não de corpo, nem beijos.

E estações que mudam, 
Primaveras, setembros, outubros e passos;
Mudam e emudecem o dia, a gente, o abraço,
Murcham a flor que não te dei.

E teu cheiro, teu gosto, teu rosto hesitante
Ficam comigo,
Como se tivessem de estar,
Ainda que não devessem.

E, numa próxima vez,
Devesse, talvez, fechar-me os olhos para os teus,
Ensurdecer e esquecer-te.

Devesse, porém.
Apenas devesse.

(E fecho os olhos,
Ensurdeço; penso em ti.
Devesse, talvez.)


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