(E eu feche os olhos e ensurdeça -
Ou devesse, pelo menos.)
Vejo-te passar assim:
Vez por outra;
Nessa beleza tímida, avermelhada;
Voz de dúvida, que me duvida também;
Tanto que me encanta; tanto me engana;
E, por vezes, chamo a ti de saudade,
Bobo que fico.
Tu, a rir:
Cabeça para trás, às vezes em mim;
Segues assim: como se o mar fosse só teu;
A meia lua fosse só tua.
Aproveitando-se do sopro dos ventos
E do silêncio de nós mesmos.
Sem admitir, também siga sendo só teu,
Ainda que não de corpo, nem beijos.
E estações que mudam,
Primaveras, setembros, outubros e passos;
Mudam e emudecem o dia, a gente, o abraço,
Murcham a flor que não te dei.
E teu cheiro, teu gosto, teu rosto hesitante
Ficam comigo,
Como se tivessem de estar,
Ainda que não devessem.
E, numa próxima vez,
Devesse, talvez, fechar-me os olhos para os teus,
Ensurdecer e esquecer-te.
Devesse, porém.
Apenas devesse.
(E fecho os olhos,
Ensurdeço; penso em ti.
Devesse, talvez.)









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