domingo, 30 de outubro de 2011

Vida Em Filme Triste

Minha vida,
Comédia, romance e drama particular,
Indo assim, sem coadjuvantes,
Nem prêmio algum a receber.

Ri, beija e chora depois,
Estuda a cena um tanto mais;
Guarda, talvez, a melhor.

Eu, este filme,
Lamentando os versos clichês,
Atos clichês,
Sentimentos e ilusões também clichês.

Sigo herói e vilão de minha história;
Conselheiro tolo a chorar os abraços dos outros;
Esconder-se numa máscara de nome Alegria.

Falas minhas, já decoradas,
Repassadas à ti, ela e todos os outros,
Como mera distração e diversão.

Repriso minha vida em filme triste;
Sem legendas;
Sem amores correspondidos.

Apenas cortes de cena.

E os risos forjados,
Constratados com os beijos reais.

E um final feliz, insistindo em não existir.

sábado, 29 de outubro de 2011

Efêmera Condição


Deixo o tempo ao vento,
Correr assim, como bem quiser.

Cabelos longos, lágrimas, sorrisos a voar,
Perder-se entre sim e não;
E a voz, vai-se também,
Assim, em beijo de despedida.

Silencia, 
E a solidão quebrada em pormenores;
Aquieta-se num canto qualquer,
Como menino novo lamentando seu medo.

Deixo tempo entregue à sorte,
Sobreviver a seus instintos imprevisíveis.

Assina sua carta de alforria,
Coração preso, ainda,
E seus braços em abraço,
Abraçam a si mesmo.

Sufocado,
E respira a própria dúvida;
Morre aos poucos,
Achando, talvez, a sonhada liberdade.

Tempo a desfazer-se de mim;
Leva o amor - que me entorpece,
Gargalha e chora.

Vai-se livre.

Dias passam sem que os conheça.
Felizes, talvez.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Esboço



E teu desenho faz-se assim, ó morena:
Em traço singelo e suave,
Povoando este meu papel inconstante.

Teus e meus erros que se vão com borracha,
E umas mínimas falhas, vivendo de preconceito, apenas,
Tímidamente perdidas,
Aos poucos, esquecem-se.

Contorno teu, que vem em verso,
Eis que já somos o inverso um do outro;
E meros detalhes a trilhar uma linha comum.

Estas curvas e pontos a me marcar,
Assumem suas reticentes sombras e traços,
Visíveis aos olhos mais atentos;
Ou a mim, somente,
Eis que meu seja este papel inconstante

Esboços, alguns poucos
E te crio em rascunho quase perfeito,
Grifado à riso, medo e segredo.

E me vens em boca, dúvidas e exclamações.
E te desenhas.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Desacerto ou Dança em Silêncio


Calarei, então.

Calarei, como também calaste;
Esqueceste assim, de tudo.

O céu, não tão belo, afinal;
E estrelas, sem aquele surrealismo de antes,
Não mais nos iluminam naquele palco, outrora perfeito.

Danço contigo a Dança dos Derrotados;
E tu me guias nesse descompasso:
Vens pra cá; joga-me pra lá.

E eu, que abraço a solidão, uma vez mais,
Nesta melodia em silêncio, é que te risco de mim;
Puxo-te a força d'um coração já calejado.

Arrisco ainda um último olhar,
Última aspa.

Nada, apesar.
Só a amarga melancolia;
Outros pares;
E o limite, que chegou.

Enganas a ti e a mim;
E dividimos esta ausência, só.

(Meia lua a esconder-se no horizonte.)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Deveres ou Passo Em Falso


(E eu feche os olhos e ensurdeça -
Ou devesse, pelo menos.)

Vejo-te passar assim: 
Vez por outra;
Nessa beleza tímida, avermelhada;
Voz de dúvida, que me duvida também;

Tanto que me encanta; tanto me engana;
E, por vezes, chamo a ti de saudade,
Bobo que fico.

Tu, a rir:
Cabeça para trás, às vezes em mim;
Segues assim: como se o mar fosse só teu;
A meia lua fosse só tua.

Aproveitando-se do sopro dos ventos
E do silêncio de nós mesmos.

Sem admitir, também siga sendo só teu,
Ainda que não de corpo, nem beijos.

E estações que mudam, 
Primaveras, setembros, outubros e passos;
Mudam e emudecem o dia, a gente, o abraço,
Murcham a flor que não te dei.

E teu cheiro, teu gosto, teu rosto hesitante
Ficam comigo,
Como se tivessem de estar,
Ainda que não devessem.

E, numa próxima vez,
Devesse, talvez, fechar-me os olhos para os teus,
Ensurdecer e esquecer-te.

Devesse, porém.
Apenas devesse.

(E fecho os olhos,
Ensurdeço; penso em ti.
Devesse, talvez.)


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Vinte e três

Tempo, tempo,
Tanto que passa,
Não me espera ou nem eu quero.

Deixa-me ali, num canto qualquer,
Leva-me e traz o bem e o mal.

Tempo, tempo,
Ponteiro rápido,
Gira mais que eu mesmo.

Anos que se vão,
Vão assim, sem que se perceba.

E as marcas,
Ficam, como cicatrizes talhadas em pele;
Horrores e dores da alma, salvos na vida.

Experiências, dizem.

E não choro e riu mais como antes,
Não lamento, não festejo,
Observo, apenas;
Sinto, muito ou pouco.

Tempo, tempo,
Lembra-me e esquece-me tanta gente,
Gente que acho que amo ou odeio.

Lento beijo; rápido abraço.

E o preto, então,
Agora branco,
Talvez caia mais tarde.
 
'- Feliz aniversário, moço.'

Nasço;
Ganho, perco-me;
E morro de novo.

sábado, 8 de outubro de 2011

Céptico


Talvez eu pense em ti numa noite dessas,
Luas como essa, vento como esse,
Cheiro, barulho, quietude;
Inquietude.


Talvez eu lembre dos detalhes teus,
Olhos teus, boca tua,
Cabelo teu, tocado pelo vento;
Riso com tão pouco.


E a vida,
Metida que é,
Improvável, confusa até.


Vem tão assim,
E se vai também,
Assim como a mim e a ti;
Como nossas despedidas.


Talvez eu também sonhe contigo,
Prosei contigo, um tanto mais; 
Caminhe, leia, chore;
Diga que sim ou que não.


Talvez eu sinta tua falta, de verdade;
Essa tua ausência, agora;
Essa saudade inesperada de teu abraço,
Teu beijo tão bem alinhado ao meu.

Dúvidas, olhares baixos;
E frases que lembro.


Amor, talvez;
Ou talvez não.


E talvez admita a ti;
Admita a mim mesmo, também, um dia.
Admita o certo, minhas certezas
Ou, talvez, que estivesse errado.


Talvez...
Talvez, quem sabe.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Harmônica Ou Versos Sobre o Velho e o Novo

Fez-se, então, nossa velha e nova poesia.

Lua a sorrir,
Dividir seu céu e nos cobrir os corpos,
Já sabendo da noite por vir.

E lá, nós...
Perdidos em pensamentos, conceitos,
Perdidos em nós mesmos;
Achando um ao outro, somente.

Como jogo de memória d'um par apenas.

E o mar e as nuvens em sons e formas,
Enfeitando nosso cinema mudo:
Nossos gestos, corpos, olhos;
Sentidos.

E lá, nós...
Com a perfeição e intensidade de beijos tímidos,
Supreendentemente, bem casados.

Surreais instantes, antes impossíveis,
Infantis, maduros,
Únicos, hoje.

E o velho não fosse tão velho;
E o novo não fosse tão novo.

Pré-conceitos, apenas, que se foram.

E as tensões, abraços, risos, anéis,
Equilibrados nessa nossa balança astrológica;

Dispostos até uma despedida.

Eis que nos olhamos um tanto mais,
Entregamos-nos mais um beijo,
Mais um verso.

Velha e nova poesia, essa nossa,
Faz-se, então.
 
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