quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Artística


Desenho, de novo, aquele coração,
Já antes apagado pela chuva e pelo vento
De ilusórios amores antigos.

Risco o chão com os mesmos dedos,
Os mesmos que, a pouco, apontaram-te;
Que ergueram teus olhos perante mim.

Em minha mente,
Traços de teu sorriso e tua doçura,
Nas paredes de minh'alma,
Guardados como clássicos.

Amor, talvez,
Em tela à óleo renascentista,
Ou pichado nas ruas da cidade.

E nossas cores a se misturar,
Nossas artes, vidas, risos,
Tom sobre tom.

Amor, talvez,
Misterioso como Gioconda;
Louco como Dali.

E desenho de novo, aquele beijo,
Escrevo-te, agora, como autora.

E os despretenciosos rabiscos de outrora,
Amanhã, quem sabe, obra-prima.




domingo, 25 de setembro de 2011

Lamento em baixo tom

Quisesse, talvez, o tempo indo com a brisa,
Levando-me,
Levando-te.

Tempo, pessoas, beijos e sentimentos,
Alternados nessa confusa cronologia,

E o receio ainda a desordenar.

Turva visão, a minha,
Vê-te em tudo:
Sonhos, risos, silêncios,
E escuridão d'um olhar.

Eu, já tão velho e ainda tão jovem,
Sem um norte a seguir,
Apenas um tímido passado,
Meu e seu.

Eu, já tão velho e ainda tão jovem,
Perdendo-me num pequeno coração.
Ou num medo de me entregar a ti
E de entregar-se a mim.

Assim que me perco;
Perco-te, também;
Espero uma outra vez, quem sabe.

E a brisa vai, como naquele dia,

E vai o tempo, aos poucos;
Muda o destino, os sentimentos,
As interrogativas.

Talvez me mude também.

Leve meus medos do amanhã,
Meus medos de ti.
E, talvez, possa te amar,
Pensar em ti,
Sentir a ti,
Somente por hoje ou também pelos próximos amanhãs.

Sem medo, apenas.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pétalas Funestas ou Cinzas de Inverno

Breve sopro,
E vivem de novo, as flores.

Primavera que vem, assim,
Sem pedir;
Invade jardins, com seu perfume;
Também com cores e amores, talvez.

E o cinza chato se vai, então,
Cinza pálido de inverno.
E suas cinzas, hoje pétalas,
Sorriem nos caminhos por onde passa a gente.

Novos ruas que surgem;
Caminhos, sonhos e incertezas,
Com rosas brancas a sepultar os antigos.

Flores que chegam,
Trazem a graça boba aos homens:
E se alimentam de sua esperança;
Hipnotizam com sua beleza.

Furam-lhes a alma com seus espinhos,
Ainda que a dor inexista.

E vivem de novo, as flores;
Vive de novo, a Primavera;
Deixa a chuva passar e lhe embelezar um tanto mais.

Deixa a chuva passar;
Secar as lágrimas.
Colorir as cinzas do Inverno.

Pétalas que passeiam pela vida;
E novos amores murcham ao fim.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Breve Encontro e Desencontro

Poeta do mundo,
Do mundo o que sabia,
Sabia menos ainda.

Caído, com seu coração frio
No frio da dúvida e dos outros,
E outros novos arranhões ganhara.

Pobre bobo,
Em bobo e previsível conto de amores se perdera
E perdera mais que a ele mesmo,
Mesmo sabendo de começos e meios.

Mero sorriso desfeito num segundo,
Segundo carma que lhe abatera.

E o poeta do mundo,
Num mundo conhecido errara,
Rara a chance que tivera.

E no nada,
Nada fez.

Poeta do mundo,
No mundo, seu mundo, lamentou.
E o mundo, mundo dela, desencontrou.

E daquele conto,
Contou, talvez muito ou quase nada.

Começos e meios em um.
Um;
Dois beijos.

Calou-se depois.

domingo, 18 de setembro de 2011

Instintiva Afeição ou Versos D'um Mero Caso À Parte


Estranhou-me aquele teu olhar sobre mim.
Estranhou-me, também, o meu.

Confundiu-me, por sabermos o que sabíamos antes;
Pelo toque que tínhamos;
Risada que dávamos;
Pelos diálogos do mundo alheio.

E tuas maçãs do rosto teimando em brilhar;
Avermelhar-se um tanto mais no encontro com a luz,
Ou d'um suave e tímido carinho meu.

Surpreeende-me a vida,
Com suas pessoas e suas ações.

Eu, que de tudo sabia,
Achava sobre tudo,
Falava de tudo.

Rendi meus olhos,
Antes atentos, ou cegos demais,
Entreguei-os aos segundos
E algumas interrogações de momento.

Casos e acasos d'uma amizade sem colores,
Instintiva afeição aumentada,
Pintada em tons indefinidos.

E as conversas,
E os abraços,
E os risos;

Ainda somente conversas,
Abraços,
Risos.

A estranheza, a confusão;
Mero descostume.

E a vida como antes:
Serena e cínica como sempre.
Segue.

Conversas,
Abraços,
Risos,
E umas poucas dúvidas,

Vêm, assim,
Com a amizade de tempos atrás.
Sem colores, rodeios ou medos.

Surpreeende-me a vida,
Com suas pessoas e suas ações.

E surpreendo-me, também, comigo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Desabraço

E, assim, o destino me soltou na vida;
Sem porquês,
Sem querer.

Largando-me e eu dele;
Num desabraço sem saudades ou arrependimentos;
Sorriso adaptado à dor.

E o frio, que de mim se apossa,
Dura tão somente enquanto quiser,
Eu quiser,

Enquanto meu próprio abraço não me abraça;
Ou enquanto outro destino não me apega.

E não chamo a isso de tristeza,
Chamo dependência;
Intolerância de seguir tão à frente,
Talvez medo de saber viver tão só.

O destino me soltou na vida;
À ela, entregou-me
E dela torno-me, por si só, mero personagem.

Então, fecho-me;
Então, deixo aquelas pegadas sumirem com o vento.

O destino me desabraça,
Deixa-me nesse gélido ar.

Mas eu, ainda não;
Não me deixo.

Descanço o olhar e me sinto.
Tenho-me, ainda, como calor.
 
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