terça-feira, 28 de junho de 2011

Girogirar


E rodava, o menino...

Girava a cabeça em repetivos movimentos,
Embriagando-se antes que a dor o fizesse.

Dor cruel, essa do fracasso.

E o menino que só queria querer um tanto a mais
Juntava as mãos,
Erguia para o céu.
Orava baixinho.

O céu, só um manto negro ou quase isso,
Deixando-o no escuro de olhos abertos.

Titubeava, cansava, seguia...

E girava a cabeça para não lembrar,
Não ver,
Não pensar.

E rodada, o menino,
E se abravaçava,
Apenas para esquecer

Apenas para não parar.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Vivente


É essa, a vida ?!

Essa que me tenta a errar,
Desfaz-se frente aos meus olhos,
Como poeira em meio a mais suave brisa.

E tantas verdades subjetivas que me impõe
Terminam por me perpetuar nesta prisão injusta
Que a dor, viúva da paz, faz-me de parceira
E repousa comigo num abraço.

Logo eu, estilhaçado em dúvidas.

Vivo, sim, com a vida - ao menos compreendido, até -,
Que se porta arrogante ao meu lado,
Sem cheiro, gosto ou beijos de boa noite.

E sobrevivo assim, silenciosamente.

O que sinto, talvez, o que se foi
Porque é a saudade que dói,
A saudade, essa viajante sempre perdida como a vida,
Sempre a me achar.

Eu, que triste que aparento ser,
Só um lamento cálido e insensível de vida que ainda vivo,
Por tão pouco e bobo q seja.

É essa, a vida.
 
Free Blogger Templates