
Tic-tac, corre o relógio.
Corre o tempo de mim,
Que não páro para me escutar
E não pára para me escutar.
E os segundos se vão como areias ao vento,
Perdidos na imensidão do passado.
Quanto ao futuro, aquela insegurança gostosa,
Que sempre não me acha;
Acha sempre que não chego, que não estou.
E passam os ponteiros - aqueles fininhos.
E a cada passar, passo junto,
Vou-me junto,
Morro junto.
Um segundo,
Um dia,
Um ano,
Uma vida que não se entende o porquê.
Apenas se vai.
E aquele velho e aquele moço ainda sou eu,
Confuso com a ação do tempo.
Tempo que somente muda, somente gira,
Somente me tem.
Tic-tac.
E se cala, o relógio.









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