segunda-feira, 25 de abril de 2011

Construção Civil


Passado a desmoronar como prédio velho.

O impossível futuro escrito em suas paredes,
Marcava à ódio e dor, a decepção há muito presente.

Cai junto, o futuro;
Junto com o prédio velho,
Estraga-se junto,
Apodrece junto.

E as lembranças se vão, como pó entregue ao vento.

Dias que se passam,
E a vida sepulta a mágoa e vive de novo.

Prédios novos são contruídos em lugar dos velhos.
E novos amanhãs são escritos em suas paredes.

Essa existência,
Nossa existência.

Rotineira construção civil.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Incolor Calmaria


Tarde cinza;
Dia cinza.
E borboletas ainda em cena.

A vida segue assim, sem graça ou cor.

Felicidade desbotada, aquela de antes,
Confundida com tristeza.
Análogo estado;
Deprimente, até.

A graça se foi e ainda se vai,
Como cores daquela velha aquarela.

Um sorriso, pintado à óleo:
Desfigurado,
Gravado num quadro de recordações esquecidas,
Prisão dos bons momentos.

E a perspectiva que inexiste.

A vida, assim, sem cor,
Trajetória não-linear de fatos.

Vidas em preto-e-branco,
O passado aqui, sempre presente,
Desenha-se em traços firmes.

No horizonte,
Borboletas em cores nunca vistas
Em suave vôo.

Tarde cinza;
Dia chato.

Incolor calmaria.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Danosa


Amor,
Esta erva daninha.

Brota em mim,
Faz do coração, solo,
Finca-lhe sua raiz
Suga todo nutriente e toda saúde.

Abraços e beijos, essa chuva corriqueira:
Molham;
Fortalecem;
Fazem crescer esse parasitismo, esse quase mutualismo.

Amor,
Esta erva daninha,
Erva danosa.

Danosa com o tempo;
Como o tempo.

Multiplicando-se a cada primavera,
Até ocupar todos os campos de vida que me restam.

Empobrece, meu coração;
Petrifica;
Quase morre.

E aí,
Depois, flor em meio ao concreto.

Ilusão, talvez.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Uniforme Noite


Noite que cai,
Manto negro sobre o mundo.

Crianças, virgens e anciãos,
Dormindo à sua indefesa pureza habitual;
Aquecem-se na maliciosa pausa da vida.

Lua que acende o sonho,
Vai, depois
Entrega-os de volta à realidade triste.

E crianças brincam e sonham;
Virgens sonham e desejam;
E anciãos, esperam apenas.

Noite que veste as vidas
Cobrem-nas até a cabeça.
Repousa os cegos, surdos e mudos.

Escuridão que a todos iguala,
A todos acalma.

E eu, que sou de longe,
Só observo,
Rezo, analiso.

Pobre vida numa isônia absoluta.
(Ou seria sono?)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SubMundo


Às moscas, o mundo...

Mudo mundo;
Passivo, confuso, destroçado.
Desalmado.

Órfão de tempo e sonhos,
Também de pais, mães e filhos;
Treme com a fria noite que o detém
E obscurece seus dias.

Inglório mundo;
Calado pelo sofrimento impiedoso,
Compartilhando do absoluto silêncio em suas horas.

Molha suas águas;
Arde seu fogo.

Gira, o mundo.

Mata.
Humilha.

Gira, por não saber parar;
Gira, por não saber viver.

Gira, arruinado.

Ao mundo, às moscas;
E seus fantasmas a apodrecer juntos à luz.
 
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