domingo, 20 de fevereiro de 2011

Nota de Pesar




Melancolicamente, a vida se esvai.

Sento-me;
Olho-a passar;
Aprecio, apesar de tudo.

Apesar de tudo,
Porque também me esvaio,
Também me entrego,
Melancolicamente.

Alegria, transformada em máscara,
Põe-se em mim e tanto me engana,
Como aos outros.

Passado, presente e futuro,
Ou quem quer que seja.

Observo, apenas, toda esta vida.

Esta mentira que me rodeia,
Que me atrasa e me desgasta;
Esta dor que finjo não existir.

Melancolicamente, os dias se vão.
E eu, apenas os observo.

E me esvaio, também.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Franca Sina


Verdade que te gosto.
Simplesmente,
Intensamente te gosto.

Brilham, meus olhos em contato com os teus,
Luz do sol que incendeia-me por inteiro
E ilumina o cego futuro, antes plangente.

Seca minha boca,
Na sede dos teus lábios,
A doçura me vem, nostálgica.

Verdade que esta saudade me acompanha,
No nascente ou poente;
Fado que te retém em mim, talvez.

Por ti, vivendo em desatino,
Sou insóbrio até que me venhas
E falta se vai.

Aguardo.

E tu me abraças;
E tu me beijas.

Verdade única que tu me tens,
Tão completamente que nem eu me tenho.

Sorrio e te chamo de amor
.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Desarmônica Necessidade ou Oposto Equilíbrio




Impiedosa inconstância,
Desfigura o equilíbrio, há pouco conseguido
Ou une, quando mais distante se deve estar.


Premissa,

A que tanto se necessita;

Desfaz-se com a mesma intensidade que se cria,
Marca à fogo de dor ou de alegria.

Sorriso aliado à lágrimas.

Afeto, banhado em ira.


Mãos unidas, em oração;
Dadas, em união

Atadas, em prisão.


Amor, chama-se.

Dúbio.

Ambíguo.
Intenso.

Harmonia conseguida com dor.
E este constante (des)equilíbrio sentido;
Entropia da existência.

Um dia a mais para compreendê-lo
Ou para compreender a si mesmo.


Pego tua mão:
- Aceite esta aliança como prova de meu amor
E de minha fidelidade.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Esperançosa Ida


Melhor sorte, somente.
Melhor que ontem, ao menos.

Moço bobo,
Que não sabe lidar com o passado;
Nem com erros;
E nem consigo mesmo.

Baixa a cabeça para o mundo;
Olhar marejado pelo tempo
Ou pelas pessoas.

Ingênuo que foi ao temer a perda;
Inexistente perda, inclusive.

E dum ato falho,
A queixa e a suspeita.

Sobe e desce os degrais da vida;
Sente as lágrimas do céu em seu rosto;
Vai-se, ainda com esperança.

Lamenta o mundo;
Arrepende-se à ela;
Aguarda a singela promesso do amanhã.

Vai-se, ainda com esperança.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Migrante


Desfazem-se, as lágrimas.

Ausentes,
Apenas uma existência mentirosa;
Mero devaneio d'uma noite qualquer.

Sem marcas, foram-se,
Perdidas neste universo alternativo,
Terra de ninguém chamada dor;
Iludidas pelo esquecimento.

Foram-se,
Para os outros.

À mim,
Ervas daninhas que se prendem,
Sugando-me a vida sem que perceba.

E o meu desprezo,
Somente um refúgio,
Insuficiente.

Choro baixo, imperceptível
[Também à mim].

Desfazem-se, as lágrimas.

Saem do meu rosto,
Entram em minha alma.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sentimentos Sobrepostos


Medo, oculto em mim mesmo,
De certas incertezas talvez presentes,
Antes, rotineiras em nossa mente.


Insegurança, mascarada pela rara paz
Hoje, cotidiana;
Ontem, ilusória.

Esperança, tantas vezes perdida,
Mas, ainda mantida,
Precursora da alegria a que tanto lutávamos


Vida antônima e confusa;

Batalha de lacunas, ferozmente preenchidas;
Por bem ou por mal.


Sentimentos sobrepostos.


E o amor, acima de todos,

Tudo comanda,
Sucessos ou dores,

Acorda com um ‘bom dia’

- Venha, amada!
Feche-me os olhos;
Pegue em minha mão.
Ponha-me novamente para dormir, após aquele pesadelo

E me guie até o seu destino,

Agora, também meu.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Vestimenta


E a felicidade que vem...

Veste-se de mulher;
Faz-me rir feito moleque bobo,
Lambuza-me com o doce gosto da tua presença.

D'ela,
Tímida, assim, por dizer,
Apenas um pouco, faltava-me.

Ou um pouco dela mesma para si.

E vem;
E me abraça;
E me invade por inteiro.

Felicidade que me tem,
Como nunca teve.
Fraco que estou, estrego-me.

E ela me leva pr'onde bem entender.

Vestiu-se.
Despiu-se.

E seguiu comigo.
 
Free Blogger Templates