segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Angélico


Após o céu,
Chão duro e gélido.
Vida real.
Mundo real.

Anjo,
Caído sob penitência divina;
Difamado por si mesmo,
Ausente de fantasia.

Guia-se, não mais por asas,
Por instintos, antes recebidos;
Suspeitos, noutrora.

Anjo,
Mudo e ouvinte,
Seguidor tão somente de si;
Acolhedor de dores e algum resquício de mágoa.

Preparado, enfim,
Para a realidade;
Esperança, medo ou desejo.

Auréola jogada, perdida;
Asas arruinadas, entregues ao vento.

Anjo do estrangeiro;
Anjo do mundo falsídico.
Impuro,
Tentado e insinuante.

Mais humano que sempre;
Tão anjo quanto qualquer um.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Dessentir


Sinto muito,
Mas não te sinto mais;
Não mais como antes,
Quanto antes.

Do beijo,
O abraço em meio à chuva;
Lembranças perpetuadas
De um passado breve.

Boas e velhas memórias.

Não te sinto mais.
Não como há tempos,
Tempo, que nunca sentíamos,
Que apenas deixávamos passar.

As bobagens;
Os sorrisos;
Momentos que também passavam,
Que deixávamos ir sem dizer 'até logo'.

E assim, seguimos.

Restando a saudade;
A vontade de dizer que sim;
Dizer sem medo ou insegurança.

Sinto muito,
Mas não como eu queria;
Apenas como tem de ser.

Apenas como o mundo (ou você) me impôs.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Carnal



Naquele momento, como em tantos outros,
Quis a ti por inteira,
Sem desculpas, culpas,
Sem negações.

Egoísmo necessário,
Na singular presença de você e eu;
Amor carnal,
Calando a ausência que desfaz o desejo.

Quis o calor de seu corpo,
Sincronizando o meu,
Em movimentos únicos.

Provocar-te ao máximo;
Conhecer os limites do teu físico e teu mental;
Fazer fluir sua loucura,
Antes temerosa.

Nós,
O prazer,
E o pecado.

E o fim de barreiras impostas,
Supostas,
Propostas.

Encosta-te em mim, então;
E me prove,
E se prove.

Nossos fins, hoje superados;
Novos fins, agora refeitos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Irmandade ou Aniversário de 15 anos


Olhe, moça,
O que a vida te trouxe.

Logo ela, que tanto te levou liberdades,
Te pôs aos prantos e dores de revolta,
Também te fez rir por tão pouco.

Olhe, moça,
Olhe o quanto cresceste,
O quanto provaste ao mundo sua alegria de viver,
Ainda que pouco tenhas vivido.

Saiba que o mundo é bem maior do que pensas,
Mas que teus sonhos também são maiores
E podem resistir aos anos.

Olhe, moça,
Levante-se e sorria para mim,
Pois é do teu sorriso que as cores brotam
E esse cinza-claro sem graça se ausenta.

Olhe, moça,
Viva a intensidade dos dias
E nos tenha ao lado sempre que quiser.

O dia de hoje, tanto quanto ontem,
É seu;
Como essa vontade de viver
E o nosso amor.

Parabéns.
Viva.


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Dedicado à Laura. Irmã que dia após dia, apesar de tantas diferenças, nunca me decepcionou.
Parabéns, mana.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Doado


Deram-lhe a vida, somente.
Aquela que não quisera até então.

D'um cumprimento,
D'uma praia,
Um caso do acaso.

Deram-lhe a vida, apenas
E um amor para chamar de seu.

Entrou,
Angustiante e impreciso como de costume,
E levando consigo uma beleza e cinismo indescritível.

Tórrido começo, aquele,
Bem mais que mera paixão.
Fulminante, aos seus olhares esperançosos;
Efêmero, infelizmente.

Tristeza não fosse o sentimento mais correto,
Decepção, talvez
Ou saudade.

Um caso do acaso,
Povoado por atos insensatos.

Deram-lhe o amor, até,
A felicidade, nem tanto
Paciência, vez por outra.

E, ainda sim, ele mantinha os pés no chão,
Mas sabia quando e como voar.
Elevar a confiança;
Ou virar as costas.

Deram-lhe o amor,
Ainda verde,
Mas, independente da forma, amor.

Restou-o a espera.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Teoria dos Opostos


Diferenças tantas e um previsível desgaste.

Nossa história escrita em meio à dúvida,
Transformando o mais-que-perfeito em imperfeito,
Obscurecendo o caminho percorrido
E a vir.

Amor de meio tempo alternado em eternidade,
Calcando a ilusão de Shakespeare,
Ou a dor de Álvares.

Nascidos de uma antítese
Por ela, vivos.
Dela havemos de morrer.

Nós, assim,
De cores, medos e certezas,
Deitados em perpétua oposição,
Amando-se, por surpresa.

Briga-se,
Sofre-se,
E se sorri.

Um beijo para resumir o prazer.

E uma nova chance para fins melhores.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Rios de Janeiro


Cai a chuva,
Escorre.

Leva embora a tristeza;
Leva embora as diferenças;
Leva também a alegria;

Leva a vida.

Rios surgem e se vão.
Rios de água,
De suor, gente,
De lágrimas.

Dor.

Rios de janeiro
Belos e trágicos.
Fúria de Deus e do homem.

Para um mundo.
Pára, um mundo.

E, à margem,
Um pedido de piedade,

Piedade, apenas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Fotos de Parede




Eu tive você,
De tempos em tempos,
Sei que tive.

Miragens povoando os espaços de meu norte;
Ilusórias, aos olhos do mundo
Reais, até que me provassem o oposto.

Reais, por tanta vontade que tive.

Procurei-te em mim mesmo;
Procurei-me em ti, também;
E nos achei, despedaçados,
Afastados pelo cruel e imprevisível destino.

Vida irônica que nos uniu,
Ainda que antônimos fôssemos,
Fez-nos dependentes,
Para depois nos impor a distância.

Eu tive você,
Por tanto tempo,
Sei que tive
E teimo em te ter.

Ainda que o vento nos leve lembranças.

Pois aquelas fotos da parede,
Ainda que sem cor
Ou amassadas,

Eram nossas fotos.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Desordem


Sobresalto,
Em todos os seus diversos sentidos,
Inclusive os perversos.

Pula, meu coração;
Corre em disparada;
Confuso que está
Até esquece de mim.

Machuca-se.
Sangra.
E volta a tentar.

Desordem rotineira, infinita e dolorosa,
Esta, a que se dispõe,
Sempre a esperar ou se magoar.

Necessitado de descanso,
Sossego dos justos.

Coração bobo que se machuca
Pula.
Dói.
Não desiste.

Do descaso, talvez,
Teima casar d'uma vez.


Ou seja arrancado em sua última batida.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Espera


Ele caminhava.
Pouco, mas caminhava.

Mero desejo ou mera coincidência,
Procurando algo que lhe acalmasse a alma,
Ou, pelo menos, que resultasse num sorriso a mais.

Ele esperava.
Ansioso, mas esperava.

Sem tanta expectativa,
Mas sonhando em algo maior do que já vivera,
Ou, pelo menos, numa satisfação menos tímida que esta.

E vivia...
Sem tanta calma ou remorsos,
Acreditando no inacreditável,
Tratando com eufemismo, suas dores.

Caminhava e esperava
Pois havia um outro alguém que certamente fazia aquilo;
Pois a vida não podia ser somente aquilo;

Ou porque era aquele sonho que desejava ter.

Dias melhores viriam.
De um modo ou de outro.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Divino


Quis um sussurro seu,
Sensação que me recordasse como éramos,
Nostálgica que fosse,
Linda, idem.

Dança, apenas nossa,
Desenhando flores em cada passo,
Arrepiando-me, em cada beijo.

Nós, de volta ao passado;
Tu, de voltas aos meus braços;
E eu,
Voltando desse oceano em teus olhos, no qual me perdi.

Abrace-me, amor.
Prenda-me em ti;
Faça-me novamente seu,
Naquela morada de felicidade na qual habitávamos.

Sussure.
Entregue-se.
Ame-me.

E caminhe até a apoteose desse nosso sentimento,
Agora, mais que antes,
Divino.
 
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