terça-feira, 30 de novembro de 2010

Rua dos Muros Decadentes


Eram tão somente detalhes...
Tudo aquilo.

Na rua, sigo só.
Apoiando-me em muros sujos,
Surrados, tanto quanto eu.

Envelhecidos pelo tempo,
Tanto quanto eu.

A vida,
A alegria,
As pessoas,
Tão somente detalhes.

Detalhes os quais nao aprendi a lidar.

Em meu suspiro,
Palavras indecifráveis a mim mesmo.
Fosse tristeza ou dor, talvez,
Ou remorso e raiva.

A vida segue irônica.
E eu, apenas lamento...

As pessoas seguem boas e más.
Eu, como elas, defendo-me de bondades e maldades,
Como bondades e maldades.

E a alegria,
Só um detalhe...

Suja como estes muros decadentes,
Como minha alma,
Como todos que me rodeiam.

Como meu destino.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Breviedade


Um dia cansarei.

Os sussuros doces em teus ouvidos;
Sorrisos bobos em meu rosto;
Abraços trocados pelo frio.

Quem, assim, contenta-se com o pouco que resta(?).

Sem dor.
Sem raiva.
Apenas o pouco, muito pouco, talvez.

Culpa minha por querer te conhecer por inteiro.
Conheci mais do que devia,
Ou mais do que suportaria.

Das tuas palavras, teus atos,
Teus sim e não,
Ficam-me dúvidas de um amanhã confuso.

Não sei quando,
Só os porquês.
Mas, um dia, querida moça de olhos tristes,
Talvez te dê meu último sussurro,
Último sorriso.

E um dia, quem sabe,
O pouco que resta será, de fato, muito pouco.

Um dia cansarei.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

In Prosa: Quanto dura um 'Para Sempre'?


Quanto tempo dura o "para sempre"? Acordei pensando nisso. Pode ser estranho, mas foi.
Ouvir de uma pessoa que 'seremos amigos pra sempre', ou de outra que irá 'nos amar pra sempre', talvez seja só mais uma das tantas frases hiperbólicas que constumamos ouvir no dia-a-dia. Claro, obviamente e, até, naturalmente, sabemos que um "para sempre" nunca irá existir de fato. Mesmo que nosso cérebro teime em se iludir, um dia algo acontece, um dia o "para sempre acaba", como diria Renato Russo.

Talvez, eu seja bem suspeito em falar ou mesmo, criticar quem fala isso. Já disse a amigos que nossa amizade nunca acabaria; já "amei para sempre" uma pessoa durante curtos 19 meses e, agora, cá estou, falando de "para sempres". Ironias da vida... Sei lá... O fato é que, racionalmente falando, um "para sempre" não tem uma vida tão longa quanto a impressão que nos dá.
"Para sempre" é apenas um tempo criado pela nossa parte sentimental - geralmente o amor - que, em realidade, apenas significa "enquanto eu/você/nós puder/pudermos ou quiser/quisermos.

Resumidamente, é isso (ou pelo menos é o que me vem à cabeça).
Contudo, o mais irônico não é simplesmente o significado real dessas palavras, mas a força que elas exercem sobre nós.

Eu sempre saberei que o "para sempre" é só uma utopia. Porém, também sei que ainda vou falar/ouvir muitas vezes mais no decorrer da minha vida. Isso é bom ou mal, pois, como tudo na vida, depende só e somente só, das circunstâncias.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Crônico Distanciamento


Realmente, não sei.

Nosso cheiro,
Nossas mãos,
Nossos rostos e corpos.

Juntos e separados.
Distante dos padrões aos quais me acostumei,
Diferente das vidas que tive.

Triste, talvez.

Ou tristeza não fosse a palavra do momento.
Quem sabe, só uma modinha casual.

Longe que fomos,
Longe a ponto de não mais nos sentirmos,
Não mais nos desejarmos,
(ou, até, não mais nos querermos)
Ainda que frente a frente.

Dor que existe.
Dor que de tanto doer, não dói.

Amor, parece-me.

Ou amor não fosse a palavra do momento.
Quem sabe só uma modinha casual.

(Seguem meus lábios procurando os seus,
Sem sucesso, porém.)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pós-sono


Falava de sonhos enquanto dormia.

A menina de rosto pálido
Olhos ausentes,
Sorriso constante.

Sonhava, falava, sorria.
Dormia.

Juntava as mãos frente ao peito,
Agradecendo à vida,
Falando com Deus, em cada segundo de seu sono.

Ao redor,
Flores murchavam,
Deixando seu aroma em cada porção do cômodo.

Bela menina pálida.
Bela foto de seu passado não tão pálido.

Olhos fechados.
Um sorriso.Adicionar vídeo
Palavras com Deus.
Sonhos.

E uma inocente jovem
Num inocente dia,
Juntava as mãos ao peito.

E falava de sonhos.

E dormia
[Enquanto cânticos ressoavam em desarmonia].

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fria Verdade ou Versos ao Inalcançável


Vai-se, o calor.

Eu,
Assistindo ao triste fim da última chama
Que queima e se esvai lentamente,
Para que eu morra aos poucos, talvez.

Mãos frias,
Corpo em choque.

Próxima a mim, ela vai sumindo.
Protegida de meu desejo - que me maltrata,
Minha cobiça em tê-la,
Perpetuá-la como minha.

Respiração ofegante,
Contentando-se com o pouco que sobrou:

A dor, o frio,
E a inexistência da certeza.

Vão-se, o calor,
O brilho,
Presos em seu escudo de gelo que teima em não derreter.

Meus olhos se fechando.

Vão-se a esperança, o desejo.
Vai-se a última chama.
Inacessível a minha vontade.

"Adeus" - disse-me.
E se foi.

P/ Refletir #28

"Now, it's just another one of those days
So, tell me what happens next?
Its out of my hands, i guess
I just don't know what to believe
Why don't you tell me to believe
Why did you let me leave?
It's not the way it's gotta be
What's wrong with me?
Why don't you tell me to believe?
Why did you let me leave?
Is that the way this has to be?"


Fragmento da música 'Cinderella Story', do Plain White T's ~~> http://www.youtube.com/watch?v=LQtAdg3RefE&feature=player_embedded

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Zumbi


I don't understand...

Esse vazio,
Esse sorriso falso tomando conta de meus lábios,
Essa dor, perpertuada na ausência de minha força.

Caminhando meramente por caminhar,
Roboticamente,
Como se tudo fosse só mais uma rotina constante,
Imutável, intragável, indigesta.

No sé...

Do impossível que me vem à cabeça,
Que me rouba a certeza,
Faz-me minúsculo frente aos outros.

Incompreensível ao mundo
E a mim mesmo.

Vagando dia e noite.

Não compreendo.
Não sei.

Não vivo.

I'm dead.
Estoy muerto.

Fim.
 
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