segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dupla dor ou Morte súbita


Apenas observo à guerra dos desconhecidos.

Infeliz tragédia
Daqueles que se agridem indiretamente.

Bombas, tiros, sangue
- O meu, arremessado a metros de meu corpo,
Corpo estripado por palavras.

Doces e dolorosas ironias,
Pessoas monocromáticas,
E motivos banais.

Olha-me,
Riem,
Choram.

Sepultam em meu peito,
Punhal, angústia e desavença,
Cada qual em seu lugar.

Meu norte e meu sul,
Num duelo de perdedores

Lenço branco e chão sujo.
Sento-me.
Olho uma vez mais.

Calo-me.

Lamento.
Desprezo.

Razão ausente,
Fim iminente.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Separação


Eu mudei.
Tu mudaste.

Cá estamos.

E a vida, o beijo, o coração ?
E o amor ?
Onde os prendemos ?
Ou os soltamos ?

Tudo soasse belo,
Não fosse o momento ou a dor
Ou a saudade.

Bobo q fui em t querer mudar,
Em me querer mudar.
Em te ver sair e fechar a porta.

Cá estamos.

Desacreditando em bons presságios,
Sucumbindo em meio ao frio da solidão,
Por orgulho ou medo.

Caminhando.
Mãos atadas à beira do precipício.

E numa outra vez,
Quem sabe,
Ligue a luz.

- Acorde-me quando voltar
(Se voltar).

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

ContraTempo


Tanto tempo, não tenho.

Tempo para viver,
Ver o belo e o feio tão tragicamente, por vezes,
Deliciar-se com o pouco que tenho, até.

O mundo correndo na janela.
Selva, mar, gente
E o pouco que passou,

Que passou e eu nem vi.

Pobre coitado que se odeia,
Entregue à sorte e à banalidade.
Eu, como a mais ninguém.

Sem tempo.
Sem riso.
Sem cor.

Fecho as cortinas, em revolta.
Nada quero ver.

Tanto tempo que não tenho,
Apenas um pouco até o fim chegar.
 
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