terça-feira, 28 de setembro de 2010

Suplício Descomunal


Um último sorriso forçado.
Resquício de esperança, talvez.

Tôla e pobre esperança
Que de tempos atrás me deixava controlar,
Controla-te à ti mesmo!

Esta, que de escudo serviu à dor,
Desta, a qual enfraqueço,
Ou a qual pertenço,
Em mim, torna a unir-se.

Lamento constante que me aflige,
Tira de mim todo o conforto
Toda alegria há tanto desejada.

Dúvidas se dissociam até sumirem.
Verdades se sobressaem.

Passos aleatórios caminham para lugar algum.

Sob tempestades, com dificudade e temor do amanhã,
Resta-me viver.

domingo, 26 de setembro de 2010

Frutos verdes em noite negras


Noite de frio,
De corpos quentes e corações gélidos.

E nervos à flor da pele.

A brisa que movimenta os cabelos da menina
Também toca mãos sórdidas que os assanham.

Pobres jovens,
Sem suas auréolas e asas.
Sem pureza alguma.

A areia, cegando-lhes os olhos,
O desejo, corrompendo-lhes o caráter,
E a culpa, fugindo de sua mãos...

Jovens,
Pobres jovens.
Apenas frutos verdes, presos numa eterna árvore familiar.

Ingênuos,
Irresponsáveis
Inconseqüentes.

Derretem seu frio externo.
Esfriam seu alma.

Pecam por impulso,
Jurando inocência.

domingo, 19 de setembro de 2010

Temporal dos 10 minutos ou 10 segundos


Nada mais a pensar.

Lembrança que se vai como um temporal desarmônico
E destrói tudo que encontra,
Até ser devorado por si mesmo.

Eu, do centro do mundo,
Observo a atmosfera mudar exaustivamente,
Em velocidade inconstante,
E se resumir a vazios diferentes e indiferentes.

Meus lábios secam.
Meus olhos secam.
Meu coração seca.

Contemplo a vastidão de nada na qual tudo se transformara.

Misturo-me àquilo.
Viro também nada.

Passam 10 segundos
10 minutos.

Nada mais a pensar.
Nada mais a falar.
Nada mais a ouvir.

Nada.
Mais nada.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Movimento Espelho


A noite de teus olhos se refletiu sobre os meus.
Não por mero acaso,
Só continuidade.

teu rosto sério envelhencendo.
E os cacos, partindo com o vento.

Vento que me leva junto, seja lá para onde.

Destrua a mim e destrói a ti mesmo,
Como a lágrima que cai de meus olhos, caindo dos teus.

Não fora (mais) a tristeza,
Tampouco a ódio,
Foram teus atos.

Mínimos e impensados que foram.

E agora,
Eis que sou teu próprio reflexo.

De teus medos,
Tuas iras,
E dores.

Quem sabe até, mais distorcido.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Isolamento


Carente, estou.
Admito.

De mais beijos,
Abraços,
Ou de músicas q entoem meu amor por ti
E, quem sabe, também o teu por mim.

Não choro
Por não querer.
Por não mais acreditar que deva, por tão pouco.

Modifico-me;
Aceito-te;
E nos beijamos uma vez mais,
Mas não como antes, ou quanto antes.

Beijamos-nos, talvez, por mero acaso
Ou em um 'até logo' constante.

Eu que reclamo e que te reclamo.
Você que reclama ou que, de mim, reclama.
Terminamos por não clamar nada.

E seguimos no frio.
Frio ardido,
Sem calor algum.

E por não te ter por completo,
Envolvo-me.

Outras em meus olhos,
Mas só você em minha mente.

Só em minha mente.


E morro em mim,
Não você.

Não em você.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Luto


E naquele instante,
Meus olhos temiam se abrir
Teimavam também, entretanto.

Luzes me cegando.
Ou só as piadas cruéis do mundo, novamente sobre mim.

No medo e na dúvida,
Agarrei-me por falta de opções,
Que eu mesmo não me dava.

Um mão sinalizava um 'adeus';
Uma boca expulsava um 'não';
Enquanto a dor corria de encontro a mim.

Talvez meu corpo não estivesse morto,
Somente minha alma.

Tão escura quanto a vida.

E nem mesmo o dourado raiar do sol tornou o dia menos cinzento.

- Veio a dor e levou-me embora.
 
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