quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

De como a pérolA se lançou ao porcO.

Saiu de casa decidida, aquilo não era justo, não poderia.
Na hora inventaria algo, saberia se esquivar embora no íntimo soubesse
que isso era impossivel, afinal estava indo por vontade própria.
Durante o trajeto desejou que o ônibus fosse invadido por alienígenas,
que houvesse um terremoto ou simplesmente que o pneu furasse e a
fizesse dar meia volta.
Mas o ônibus seguiu seu caminho sobre o asfalto esburacado.
Cada solavanco fazia com que lembrasse do que estava deixando para trás
antes mesmo que houvesse existido.
Não se pode negar que estava feliz, e isso era o mais sórdido.
Sorriu ao descer do ônibus e ouvindo uma música imaginária, foi tentando se equilibrar no meio fio
no curto espaço até lá.
Começou a cair uma chuvinha miúda que aos poucos foi aumentando de intensidade,
rodopiou sem se importar com as pessoas apressadas
que se maldiziam por terem saido sem um guarda-chuva.
Chegou lá ensopada e seus tremores de frio serviram para esconder sua ansiedade.
Braços quentes a envolveram, notou a ausencia de um sorriso amável, mas não importava,
fazia parte do jogo.
Movimentos suaves, êxtase mudo, crescente.
Teve tempo de achar engraçado o fato de se sentir mera expectadora.
Silêncio.
Lá fora os cristais de chuva voltavam a ser apenas água.

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