quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Gare.

Ele sabe, eu tenho certeza de que ele sabe.
Sempre soube.
Não poderia ser de outra forma, ele estava fadado a saber desde o início.
Eu só fiquei sabendo depois que passou.
Depois que todas as estrelas jaziam no chão lavadas pela chuva, depois que o
céu voltou a ser azul com nuvens escassas, depois que a madrugada se foi e que as palavras,frouxas, perderam o sentido dispersas pela névoa.
Agora ele me olha através do vidro com seus olhos risonhos, mesmo sério ele tem os olhos risonhos e isso até que é divertido.
Sempre achei que os olhos dizem muito sobre as pessoas, mas depois de ouvir bastante que tenho olhos meigos e curiosos, mudei de idéia.
É engraçado como sempre desando à falar besteiras, onde eu estava mesmo?
Ah,sim ele ainda está me olhando pelo vidro, sei que ele não vai falar nada, ele nunca fala.
Mas sei que na hora de partir ele vai se aproximar e me abraçar desajeitadamente,passar as mãos pelos cabelos eternamente despenteados e irá sem olhar para trás.
Ele não sabe mas é exatamente esse jeito desajeitado de quem está com medo que me encanta.
E eu sentarei naquele banco azul, desamarrarei e amarrarei meus cadarços um sem número de vezes, esperarei que aquela tempestade finalmente desabe e assim, desbotarei aos poucos.
Mas não lamento, não tenho culpa se as cores eram visíveis a todos e um mistério pra mim.

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