sábado, 7 de novembro de 2009

Pretérito Imperfeito

Retornei depois de muito tempo àquele quarto.
Logo de início senti uma pontada de ansiedade, mas a
proximidade dele me deixou tranquila, afinal os fantasmas
provavelmente já teria morrido de tédio.
A casa parecia diferente, mas não consegui saber exatamente o
que havia mudado.
A porta do quarto não emitiu o esperado ranger de coisa velha,
nem fui atingida pelo cheiro de mofo. O tempo parecia não ter
passado por ali, tudo estava intacto,o cheiro de algodão doce ainda estava impregnado
nas paredes.
Apoiei minhas costas no armário enquanto um turbilhão de risos, choros,
músicas, cores, cheiros e imagens me envolviam.
Quando consegui abrir os olhos, vi algo empoeirado no canto, como se tivesse
sido largado às pressas e esquecido.
Com muito cuidado, consegui tirar as teias e aranha e a grossa camada de poeira
e fiquei olhando sem entender para aquele pequenino baú com uma letra gravada
na tampa.
Afinal, como eu poderia lembrar?
Era apenas um objeto que há muito tempo perdera sua utilidade para mim.

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