sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sobre Escrever e Dormir

Depois de algum tempo, você cai em si.
Madrugade de quinta para sexta-feira. 02h.
Após anos, postar em primeira pessoa passou a ser um tanto quanto estranho pra mim.
Estranho por ser mais fácil fingir um personagem do que realmente admitir que tropeços que vem e vão na vida.
Talvez eu esteja aqui, essa hora, coração pesado, por não ter coragem de me abrir com mais ninguém sobre o que ou como me sinto. Ou, talvez, por finalmente admitir que cheguei ao meu limite.
Quando olhava para outras pessoas e pensava "poxa, eles voltaram para errar de novo", nunca me imaginei passando pela mesma situação; pedindo para voltar um namoro com alguém com quem havia acabado um ano antes, puramente por achar que eu "não estava mais no clima".
Pouco menos de dois anos atrás, quando decidi ficar solteiro, acreditava que eu estava imune a sofrer novamente - também pudera: eu quem havia feito sofrer - puramente por saber como e quais atitudes tomar quando estava na ponta mais sensível do término.
Contudo, quando percebi que, mesmo após meses de separação, eu ainda me importava com o bem-estar de minha ex-namorada, notei que aquilo era um pouco mais do que mera consciência pesada.
De fato, não era consciência e sim, vestígios de um sentimento que um instante impaciente meu no relacionamento ofuscou.
Voltar a namorar foi fácil e difícil ao mesmo tempo. Ter que retomar a mentalidade de que aquilo pode e vai dar certo; à lembrança do quanto havíamos sido felizes em tempos anteriores.
Foi o que tentei fazer, mesmo sendo mais tímido em relação a algumas coisas como demonstrar afeto.
Cometi alguns pecados, é bem verdade. Pecados dos quais me arrependi e ainda me arrependo hoje e que me custaram discussões e desconfiança.
Ainda sim, conseguimos ser bem felizes; conseguimos esquecer um pouco os fantasmas do término. Era tudo muito sincero: abraços, beijos, saudade e tantas outras coisas.
Mas, obviamente, 10 meses, decepção e culpa mudam as pessoas.
E mudamos. Cada qual em sua proporção e jeito, de acordo com nossa idade e lugar no mundo.
Depois de voltarmos e convivermos com dias de sol e calmaria, tempo depois nos víamos em contínuas discussões. Por mais que eu achasse que havia me tornado uma pessoa fria, aquilo me destroia por dentro. Sempre.
Pouco a pouco, briga após briga, comecei a perceber que eu não havia voltado um namoro, mas sim, havia iniciado um namoro.
Por mais que a pessoa de quem amava fosse aquela pessoa calada, serena e sincera de outrora, ela também  havia ganho várias outras qualidades e defeitos, havia vivido vários outros momentos. Havia se tornado um nova pessoa.
Até descobrir isso, sofri um pouco, me chateei e fui a chateação por várias vezes.
Hoje, excepcionalmente, estou aqui porque não quero brigar uma vez mais. Não quero nutrir um sentimento ruim uma vez mais.
Quero apenas entender o que está acontecendo.
Às vezes, sinto como se ela pouco se importasse com minha presença ou com o que penso ou em como poderíamos nos reconciliar. Como se tivesse se deixado relaxar.
Queria que ela notasse quando estou triste, independente de ser por nossas discussões ou não. Queria que ela fosse meu ombro amigo, que fosse a primeira pessoa em quem eu pensasse quando tivesse algum problema.
Mas, infelizmente, não é. E, com o distanciamento causado pelos respectivos casamentos de meus dois melhores amigos, ninguém é, na verdade.
Não a sinto como antes.
Não sinto mais aquela pessoa que me recebia com um sorriso e um beijo demorado; aquela pessoa que escrevia coisas bonitas; que confiava em mim e me contava as mais diversas bobagens.
Que sorria comigo até altas horas da noite.
Queria aquela pessoa de volta ou pelo menos boa parte dela.
Queria estar com ela e feliz agora.
Mas não estou.
É bem difícil pra mim admitir isso.
Às vezes, não estou com ela mesmo quando realmente estou.
Não queria estar assim. Queria ter um ego altíssimo, como o dela.
Queria não me importar.
Queria jogar tudo pro alto.
Mas, infelizmente, como bom libriano que sou, preciso ter certeza.
Certeza de que esse "não importar" dela seja mesmo desapego, daí sim, pego meu caminho e sigo até sem mágoa.
Mas preciso de certezas.
Estou triste, mesmo sem derramar nenhuma lágrima.
Juro que queria aquele abraço de novo.
Queria um "boa noite" de fato.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Empatia

Pense
Mente
Tente
Gente
Quente
Frente
Ventre

Pense: Ente.

Duas pessoas; abraço.
Equilíbrio

Amor.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Sobre Quando Se Toma um "Foda-se"

Como se chama aquele sentimento ruim que nos invade mas, ainda sim não nos sufoca a ponto de tomarmos decisões estúpidas?
O que um pessoa pensa de você quando te diz "eu sei que você ficaria chateado, mas vou fazer o que" ?
E se essa situação se repete mais algumas vezes?
Talvez seja complicado pensar em como se sentir depois disso e ainda parecer o ruim da história. Talvez fosse algo a se deixar esquecer, mas como se fica a se repetir mais e mais?
Interrogações.
Exclamações.
Abrir ou não abrir de algumas coisas é sempre complicado.
Saber o que, quem ou quando priorizar é um dever só nosso. Às vezes, priorizamos algo ou alguém em um momento que não vale à pena.
Daí você percebe que não é raiva; não é rancor.
É apenas decepção...

~ suspiro

- Não é sufocante. Mas é triste...

sábado, 22 de julho de 2017

Desimportados

Que se danem.

Danem-se os medos de brigas,
O seu áries e meu libra,
Minha conversa e seu silêncio.

Danem-se os quilômetros,
Os carros, os ônibus,
A distância, o tempo.

Que se danem todos.
Todos, menos nós.

Danem-se as minhas vodcas;
Danem-se as suas maquiagens;
O meu calor;
O seu frio.

Danem-se todos,
Menos menos de nós.

Que se dane meus jogos,
Suas séries;
Minha linha e seu lábio.

Que se dane tudo;
Que se dane os outros e outras,
Professores, colegas de trabalho.

Que se dane se sou sol
E você, lua.

Danem-se todos,
Menos nós.

Danem-se todos
Por mais de nós.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Bordado

Antes, nós.
Desalinhados em tecidos
Amassados
Enfileirados, um sobre outro.

Hoje, nós,
Desfeitos em firmeza,
Desajustados,
Frouxos.

Mão não-firme,
Trabalho inacabado,
Coração não-púrpura.

Desapontado assim,
Nosso amor.

Despontado.

Amor lindo,
Linha velha.

Amor velho, mas lembrado.
Borbado.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sobre Chegar No Limite

"Quem procura, acaba achando".
A frase que se tornou tão popular, geralmente, assume um sentido um tanto quanto contraditório, levando-se em conta o contexto no qual é aplicada.
Oras, vejamos: Se alguém está encucado com algo que lhe incomoda e termina por querer saber de alguma forma se esse seu incômodo tem fundamento, seria algo injusto?
A julgar pela forma como as relações sociais se vem e vão, parece que as pessoas andam cada dia mais, acostumadas com a política da "sujeira por baixo do tapete"
De fato, eu, por mais acredite que franqueza seja a chave para boas relações, já quis que deixassem pra lá certos incômodos e também já deixei algumas coisas que me incomodavam serem mortas aos poucos. O que ocorre é que, de fato, tudo um dia chega a um limite.
Por mais que eu saiba o quanto tudo significa; por mais que tudo pareça linda aos mais desinformados, a gangorra nunca se mantém em equilíbrio se um peso é mais pesado que o outro.
Relações exigem respeito, consideração, confiança.
Atinge-se ao limite quando um desses três ingredientes fica escasso.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Sobre "Deixar pra lá"

Alguma vez na vida você já se perguntou "Putz! Por que estou me importando com isso/essa pessoa?" e ficou um tanto decepcionado consigo mesmo por não conseguir agir como se nada tivesse acontecido.
É difícil imaginar uma vida inteira sem algum tipo de questionamento desse naipe, sobretudo quando nos vemos envolvidos em algum tipo de relacionamento, seja ele amoroso, amistoso ou mesmo familiar.
A necessidade que temos em sentir falta de alguém aliada aos cuidados e preocupações que temos com esse mesmo alguém, faz com que fiquemos presos, por assim dizer, numa bolha sentimental que muitas vezes pode indicar duas coisas bem distintas: Ou uma excessiva possessividade na relação, alimentada por ciúme e insegurança ou, em outra ponta (mas nem tanto), falta ou mesmo ausência de amor-próprio.
Vejamos dois questionamentos bem diretos e que podem nos fazer parar um pouco e pensar com mais clareza:

1 - a pessoa em questão se importa com o fato de você se importar com ela?
2 - a pessoa em questão se importaria contigo no caso de uma situação inversa?

Se, para ambas as perguntas, as respostas forem negativas, sinto dizer mas o problema realmente não está na outra pessoa.
É preciso que saibamos que relações, sejam elas em que patamar estejam e, por mais que tenham um lado um pouco mais pesado que o outro em determinados momentos, devem sempre se equilibrar. Caso não ocorra esse equilíbrio de modo algum ou pelo menos com uma certa frequência, "ligue o foda-se" e vá ser feliz e deixar que sejam.

Pode ser que não funcione no começo, mas com uma certa prática, as diferenças minimizam ou, quem sabe até, você possa desfrutar de uma ocasional e, talvez, mais feliz vida de solteiro.

terça-feira, 21 de março de 2017

Sobre o que temos em nossa essência

Certo dia, conversei com alguém sobre as mudanças que nossa forma de pensar adquire com o passar dos anos e com as experiências adquiridas.
Diria que foi um diálogo bem franco, onde as palavras saíam sem maiores problemas e onde inseguranças, medos e realidades diferentes se misturavam, dando um ar objetivo e sincero ao assunto.
Seguindo toda essa sinceridade, expus uma opinião bem própria sobre as pessoas e suas atitudes para com os próximos: a capacidade que cada um tem de manter sua essência, mesmo diante de uma enxurrada de informações e levando em consideração toda uma evolução emocional, onde a maturidade desponta como liderança principal da mente.
Veja bem, falo em "essência".
Por maiores que sejam as mudança sofridas na vida de uma pessoa, se ela tem um passado carismático, ela tende a ser carismática também na sequência de sua vida.
Egoísmo, austruismo, carinho, empatia, impaciência, ansiedade, desenvoltura, sensibilidade, aspereza...
Todas essas características, por mais que, ao longo do tempo se lapidem, terão sempre o mesmo núcleo e estarão entranhados em uma pessoa.
Nós não mudamos por ninguém e, tampouco, ninguém por nós.
As pessoas se modificam por elas mesmas e provisoriamente; mudam quando acreditam que esta mudança poderá trazer benefícios a sua vida, sejam eles de que tipo forem.
Por mais que isso soe como pura e unicamente egoísta, é humano. Essencialmente humano.
Vivemos em função do tempo, do momento.
Utilizamos nossos principais atributos em escala maior ou menor, dependendo, logicamente, da vantagem que queremos tirar de um instante.

"Os humanos são tão interessantes".

"Deixa estar".

quinta-feira, 2 de março de 2017

Sobre Se Sentir Um Trouxa

Tristeza aliada à ciúmes já foram motivos que me deixaram bastante estressados nesse atual relacionamento. Cada um que sente intensamente uma relação passa por isso.
Às vezes, por mais que você queira evitar certos "pensamentos difusos", eles teimam em se fazer presentes e terminam por desgastar um dia, uma semana, um momento que era pra ser de alegria.
Mas, e quando o sentimento em questão não vem de ciúme ou tristeza?
E quando ele começa com decepção e depois se torna raiva?
Sinceramente falando, já me culpei bastante por inúmeros desentendimentos recentes e tento melhorar a cada derrapada que dou por saber que elas foram "fabricadas", por assim dizer. Entretanto, mais recentemente, várias coisas passaram de um estágio de insegurança e tristeza para pura decepção e, posteriormente, raiva.
Havia muito tempo que eu não sentia algo tão negativo vindo de uma pessoa que eu considerava tão cheia de motivos para se elogiar. Penso que, quando se entra em um namoro, vez por outra o casal brinca e planeja algum futuro promissor juntos.
Esse semana, porém, alguns fatos me chatearam bastante e me fizeram até a questionar sobre o porquê de uma pessoa estar ao meu lado e só conseguir falar do futuro em primeira pessoa.
Ou quando você está desabafando e essa pessoa mal olha em seus olhos para te levar à sério?
Ou quando você manda algo da internet ou uma música, todo empolgado, e a pessoa nem sequer se dá ao trabalho de olhar/ouvir?
Ou quando você está todo empolgado em vê-la e, de repente, percebe que ela não está tão empolgada assim.
Sei que não sou a melhor pessoa do mundo, tampouco o melhor namorado - acho até que piorei bastante de 2015 pra cá -, mas, francamente, pergunto-me como será que uma pessoa está sentindo numa vida "à dois" assim.

- Não, rapaz, mas ela tem as preocupações dela, o curso, essas coisas...
Não, rapaz, mas você já terminou com ela uma vez. É normal que ela se porte mais fria em relação a outra vez...
- Não, rapaz, isso tudo é coisa da sua cabeça, daí fica perdendo tempo encucando com isso.

OK, amigos... Mas, eu pergunto: E se fosse o contrário?

Honestamente, não tenho medo de uma possível rejeição por parte de ninguém. Já passei por isso, sei o quanto dói, mas também sei q passa e que a gente termina até evoluindo. O que mais me incomoda, na verdade, é a dúvida.
É possível dizer q isso é amor? Ou seria só conveniência?
Hoje, conversando com uma amiga minha  de mais de 10 anos, peguei-me intrigado pela seguinte afirmação dela "Júlio, e se não for o tempo dela para pensar em uma relação duradoura? Ela é bem mais jovem que você e talvez não queira pensar em um futuro à dois, estando apenas confusa por estar numa relação, novamente".

Se pelo menos ela me desse um posicionamento, talvez eu soubesse se teria que pegar meu barco pra o outro lado ou não.
No mais, depois de tantas perguntas sobre se sou eu quem estou agindo na pressão, agora me sinto um verdadeiro trouxa por parecer que somente eu preocupo com a relação e somente eu gosto de priorizar uma maior proximidade nossa em relação a outras coisas.

Carinho, companheirismo, respeito, empatia, amor...
É isso que uma relação normal não-perfeita teria.

É isso que temos agora?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Sobre Baixa Auto-Estima e Crises de Ciúme

Depois de me sentir extremamente mal com algumas crises de ciúme que tive recentemente, resolvi - pasmem - ler um artigo na internet que trata desse assunto.
Eu estava me sentindo bastante incomodado por ter sido, até então, bastante diferente do que, anteriormente, era e isso me fazia atrapalhar bastante o recomeço de relação que tive a pouco.
Ao mesmo tempo, o fato de não conseguir sentar e conversar com a pessoa com quem namoro, terminou por transformar o que tinha numa bola de neve gigantesca que parecia prestes a engolir tudo que via pela frente.
Ao me deparar com o artigo ao que falei, percebi que muitas das características que a autora cita se faziam presentes no meu dia-a-dia, sobretudo durante os períodos que chamo de "hiatos" - finais de semana que não nos víamos. Isso me deixou um pouco assustado e, ao mesmo tempo, fazendo sentir meio imaturo, ainda que tenha passado por alguns relacionamentos e, mais que isso, conheça minha atual namorada a tanto tempo.
Segundo o artigo, um dos principais (senão o principal) motivos de ciúmes é a baixa auto-estima. Eu, particularmente, fiquei um pouco surpreso devido ao fato de que a baixa auto-estima atinge, em sua boa parte, pessoas introvertidas - exatamente o contrário do que sou.
Indo um pouco mais profundamente, percebi que eu estava me deixando levar por pensamentos cada vez mais negativos e, aliando isso ao fato de eu não conseguir falar abertamente com ninguém sobre isso, minha mente parecia entrar em ebulição.
Depois de alguma leitura e muitas reflexões, voltei-me a uma característica que cansei de citar quando achava que minha namorada parecia incompreensiva: Empatia.
Será que valia a pena eu ficar com dor-de-cabeça, pensando no que pode ou não estar acontecendo a mais de 160 km de distância? Será que valia a pena eu desconfiar de alguém que já me deu inúmeras provas de que tem sentimentos verdadeiros para comigo? Será que valia a pena desgastar um recomeço de uma relação ?
A resposta para todas essas perguntas é Não.
Caráter é algo que se tem ou não se tem.
Em um relação a dois é primordial e é um pilar para se adquirir confiança.
Mas, voltando questão da auto-estima: Como e porquê minha auto-estima se tornou tão baixa?
Esse é um questionamento pertinente que acredito ainda ser resquícios de duas relações anteriores e nocivas as quais vivi.
O que fazer para resolvê-lo?
Bem... Nesse ponto, pretendo evoluir esta relação não-nociva que possuo.
O depois, Deus quem dirá...

 
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